Sódio, Cloro e Potássio

Sódio, Cloro e Potássio

 Sódio, cloro e potássio

 

Ocorrência

Depois do fósforo, o potássio é, quantitativamente, o principal constituinte mineral do corpo, ocorrendo na proporção de 5% nas cinzas e na quantidade de 150 g por 70 kg. O cloro e o sódio vêm logo após o potássio e o enxofre, ocorrendo, respectivamente, nas proporções de 3 e 2% nas cinzas, e nas quantidades de 85 e 63% por 70 kg. Estes três minerais serão considerados em conjunto, dada sua íntima relação com a dieta e com o metabolismo.

 

Absorção e excreção

A absorção ocorre ao longo do trato intestinal, e a excreção dá-se através da urina, do suor e das fezes.

 

Funções metabólicas básicas

O potássio é importante elemento intracelular, ocorrendo em menor escala no ambiente extracelular. O sódio e o cloro atuam principalmente no ambiente extracelular. Suas funções básicas são as seguintes:

- Mantêm, em conjunto, o equilíbrio da distribuição de água através dos compartimentos corporais.

- Mantêm o equilíbrio osmótico.

- Mantêm o equilíbrio ácido-básico dos fluidos corporais.

- Mantêm um padrão normal de irritabilidade muscular.

 

Controle hormonal

Estes três minerais são hormonalmente regulados por secreções da hipófise anterior e do córtex adrenal.

A aldosterona, um mineralocorticóide do córtex adrenal, controla o equilíbrio do sódio no organismo: a reabsorção de íons sódio é estimulada pela aldosterona nos túbulos renais quando a necessidade deste mineral aumenta no organismo. Todos os corticosteróides ativos aumentam a reabsorção de sódio e cloretos nos túbulos renais, diminuindo concomitantemente sua excreção pelas glândulas salivares e sudoríparas e pelo trato gastrintestinal. A aldosterona é o hormônio realmen¬te mais ativo neste particular; o cortisol e o 11-desoxicorticosterona também auxiliam na retenção de sódio. A excreção de potássio que se verifica como conseqüência da troca de potássio intracelular com o sódio extracelular é estimulada pelos mesmos hormônios.

 

Papéis específicos

- O sódio sérico é um dos principais elementos responsáveis pelo controle da sede: quando sua concentração aumenta, os receptores da osmolaridade no hipotálamo desencadeiam a sensação de sede.

- A absorção de glicose e o transporte de vários nutrientes através de membranas celulares requer sódio ("bomba de sódio").

- O osso contém cerca de 800 a 1.000 mEq de sódio, dos quais aproximadamente a metade é utilizável pelos líquidos extracelulares em caso de requisição metabólica.

- O potássio, importante componente mineral do espaço intracelular, atua como catalisador do metabolismo energético e na síntese de glicogênio e proteína.

- O cloreto combina-se freqüentemente ao sódio no líquido extracelular (cloreto de potássio). O cloro pode passar livremente de um compartimento para o outro através das membranas celulares, auxilian¬do na manutenção da pressão osmótica.

- O cloro do sangue é, em parte, requerido para a síntese de ácido clorídrico no estômago, o qual é necessário à conversão de pepsinogênio em pepsina, enzima atuante na degradação de proteínas.

 

Sinais e sintomas de carência

Normalmente não há carência de sódio, cloro ou potássio. Não obstante, em climas muito quentes e secos, e sob trabalho muito pesado, a sudação abundante aumenta a perda de sódio e requer compensação dietética, o que ocorrerá espontaneamente. Apenas casos esporádicos de excessiva transpiração associada à fase de adaptação a um clima quente e seco podem justificar o uso extra de sal colocado em pequena quantidade sob a língua, somado à ingestão de água. Mais facilmente, entretanto, ocorre ingestão excessiva de sal, o que é prejudicial à saúde e pode favorecer o desenvolvimento de hipertensão arterial, especial¬mente em indivíduos geneticamente predispostos.

Os sinais clínicos da carência de sal (cloreto de sódio) são vômitos, náuseas, cefaléia, fadiga, fraqueza muscular, dor nas pernas, cãibras abdominais, pele enrugada, olhos encovados, bochechas deprimidas, confusão mental, hipotensão arterial e taquicardia. Estes sintomas raramente se instalam em condições normais, já que o sal é fartamente obtido pela dieta, ocorrendo mais freqüentemente em condições pato¬lógicas, como vômitos excessivos e diarréia, queimaduras, complica¬ções cirúrgicas e insuficiência do córtex adrenal.

O potássio é depletado por certos diuréticos e por hormônios do córtex supra-renal, sendo também perdido através de vômitos, diarréia e em conseqüência de uma acidose. A carência de potássio em condições normais é rara, pois este mineral encontra-se largamente distribuído nos alimentos. Os principais sinais clínicos de deficiência são fraqueza muscular, apatia mental e insuficiência cardíaca.

 

Hiperingestão

A hiperingestão de cloreto de sódio (sal de cozinha) é bastante freqüente na sociedade moderna, cujos alimentos recebem adições não raro excessivas de sal (conservas, queijos, bacalhau e outros produtos industrializados e em salmoura). A acuidade gustativa para o sal acha-¬se reduzida em muitas pessoas, que o usam demasiadamente em sua comida, supondo usarem-no adequadamente. Os produtos animais, particularmente as carnes e o leite, contêm alto teor de sódio, tanto que os animais carnívoros não necessitam de complementações. Segundo levantamento recente, o consumo habitual de sal de cozinha oscila entre 6 e 18 gramas por dia, ao passo que apenas 0,6 a 3,5 gramas seriam suficientes. Este excesso demonstra-se nocivo à saúde, e, como vimos, associa-se a condições mórbidas principalmente no sistema vascular.

 

Necessidades nutricionais

Não se conhecem precisamente as necessidades dietéticas diárias destes minerais, mas sabe-se que, em valores mínimos, 0,5 grama de cloreto de sódio e 0,8 a 1,3 gramas de potássio por dia demonstram-se suficientes.

 

Fontes alimentares

Como já colocamos, estes nutrientes são, em geral, fornecidos adequadamente pela alimentação. O sal de cozinha contém sódio e cloro na forma associada de cloreto de sódio. Praticamente todos os alimentos contêm um pouco de sódio, se bem que as frutas, os cereais e os vegetais apresentam teores irrisórios; nossa alimentação requer, portanto, complementação na forma de sal marinho. O potássio é abundante nos alimentos naturais, particularmente em frutas, vegetais e cereais.

 

 

Teor de cloro em alguns alimentos (mg em 100g):

Alcachofra

3

Alface

4

Azeitona verde

4

Batatinha

3

Cebola

2

Cenoura

4

Escarola

5

Espinafre

6

Laranja

2

Lentilha

4

Ovo

9

Pepino

6

Rabanete

9

 

 

 

Teor de potássio em alguns alimentos (mg em 100g):

Abacaxi

321

Acelga

353

Aipo

316

Alface

339

Ameixa seca

1.000

Amêndoa

741

Arroz integral

561

Azeitona verde

1.526

Banana

401

Beterraba

353

Couve-nabo

338

Ervilha seca

903

Ervilha verde

126

Escarola

380

Espinafre

770

Farelinho

1.217

Farinha Graham

457

Fava seca

1.230

Fava verde

613

Figo fresco

384

Figo seco

960

Lentilha

870

Lima

350

Mel

386

Nabo

338

Salsa

316

Tâmara

611

 

 

 

Teor de sódio em alguns alimentos (mg em 100 g):

Aipo

84

Ameixa seca

69

Amora

50

Azeitona

128

Beterraba

93

Brócolis

50

Castanha

85

Cenoura

101

Chicória

109

Couve-flor

68

Couve-nabo

56

Ervilha madura

104

Farelinho de trigo

2.610

Fava madura seca

97

Fava verde

88

Feijão maduro

97

Lentilha

62

Lima

62

Manteiga

788

Melão

61

Mexerica

216

Nabo

56

Ovo (clara)

156

Ovo (gema)

75

Pão de trigo integral

482

Romã

85

Tâmara

51

Trigo (germe)

7.222

 


Programa Saúde Total

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