Vitamina C (ácido ascórbico)

Vitamina C (ácido ascórbico)

 Vitamina C
(ácido ascórbico)

 

Escorbuto e vitamina C

Uma doença mortífera. Milhares de vítimas. Causa desconhecida. Cuidadosas observações, entretanto, trouxeram à luz a descoberta de que um simples procedimento dietético é capaz de prevenir ou mesmo curar eficazmente a terrível peste. Falamos do escorbuto, o "flagelo do mar", que durante séculos acometia os viajantes, não raro fatalmente, e cuja causa residia simplesmente em uma deficiência da nutrição. Desde os tempos de

Hipócrates, Areteu, Celso, Coelius Aurelianus, Paulo d'Egina e Avicena, o escorbuto tem merecido referências. Em 1534, esta afecção foi minuciosamente abordada na obra de botânica
farmacológica de Enricimus Cordus.

No tempo das grandes navegações e descobertas, foram freqüentes os casos relatados de escorbuto entre os expedicionários, que viajavam tanto por mar como por terra. Alude-se a esta doença nas expedições de Cabral, Cortez, Pizarro, Drake, Jacques Cartier e outros. A parca e monótona provisão alimentar para as viagens propiciava o desenvol¬vimento de carências nutricionais. Antes, porém, da descoberta da vitamina C no século XX, observou-se que o suco de cítricos, como o limão, prevenia o escorbuto. Na Inglaterra, chegou a tornar-se obrigató¬rio o uso de suco de limão pelo contingente da marinha.

Em 1907, na Noruega, Holts e Folich provocaram sintomas similares ao escorbuto em cobaias através de experimentações dietéticas. Em 1932, Szent-Gyorgy isolou uma substância redutora, a que chamou de ácido hexurônico. Mais tarde, ele próprio constatou que se tratava do ácido ascórbico, que poucos anos depois foi sintetizado.

 

Funções metabólicas básicas

A vitamina C atua em não poucos processos vitais, assumindo seu papel fisiológico ora como coenzima, ora como co-fator.

- Está intimamente ligada a vários processos de oxirredução.

- Uma de suas funções mais notáveis diz respeito à síntese de colágeno, que auxilia na estruturação dos tecidos, unindo as células. A conversão de prolina e lisina respectivamente em hidroxi-prolina e hidroxi-lisina requer ácido ascórbico, e estes aminoácidos são necessá-rios à biossíntese de colágeno.

- A cicatrização normal de feridas necessita de colágeno como material de reparação. A vitamina C é, destarte, essencial ao processo de cicatrização.

- As paredes vasculares, os ossos e os dentes requerem ácido ascórbico para se manterem hígidos, já que, como explicamos, sem vitamina C, o colágeno, necessário à estrutura dos vasos, dos ossos, das gengivas e dos dentes, não pode formar-se. Por isso, na falta de vitamina C, ocorre hemorragia (ruptura dos vasos) e perda dos dentes.

- O metabolismo de alguns aminoácidos, como a fenilalanina e a tirosina, requer ácido ascórbico.

- A conversão de ácido fólico em ácido folínico, este último a forma ativa da vitamina, envolve a participação da vitamina C.

- O ciclo respiratório celular em nível de mitocôndrias e microssomos depende do ácido ascórbico para transcorrer normalmen¬te.

- A absorção do ferro é facilitada na presença da vitamina C no trato gastrintestinal, que reduz a forma férrica à ferrosa.

- A absorção das hexoses e a glicogenogênese hepática são favorecidas pelo ácido ascórbico, que está envolvido no metabolismo glicídico, o que também é demonstrado pela hiperglicemia do escorbuto.

- É possível que a lipase do tecido adiposo dependa, para a inativação, do ácido ascórbico.

- A oxidação da epinefrina, na medula supra-renal, é prevenida pela vitamina C.

 

Vitamina C, gripes e resfriados

Desde que Linus Pauling, Prêmio Nobel, afirmou em seu livro que a vitamina C atua como protetora contra o resfriado comum, o interesse popular em torno do assunto cresceu espetacularmente. O comércio de produtos farmacêuticos encontrou então, na venda da vitamina C, lauta oportunidade de faturamento, tendo a procura deste produto efetiva¬mente atingido níveis sem precedentes. A atenção dos pesquisadores também foi despertada; alguns trabalhos chegaram a conclusões que modificaram a hipótese original. Inseridos nos achados posteriores a Linus Pauling, destaquemos dois pontos.

1. A vitamina C não se demonstrou totalmente eficaz no tratamento do resfriado, porém...

2. ...Parece ter ajudado a diminuir a duração e a intensidade dos sintomas do resfriado.
Doses exageradamente altas de ácido ascórbico, não obstante, não são benéfi¬cas, podendo causar certa toxicidade, como veremos adiante. Além disso, o organismo elimina o excesso pela urina.

 

Sinais e sintomas de carência

- Quando os níveis de ácido ascórbico no sangue ficam abaixo de 0,2 mg/100 ml, após algumas semanas de privação, podem surgir os primeiros sinais de deficiência, como fraqueza, anorexia, diminuição do ritmo de crescimento, irritabilidade, anemia, maior sensibilidade ao tato, edema e inflamação das gengivas, perda de dentes, palidez, edema nas articulações do pulso e do tornozelo, encurtamento da respiração, pequenos pontos hemorrágicos (petéquias), fratura ou eversão das costelas ao nível das junções condrocostais, dores à movimentação, etc.

- O escorbuto resulta da deficiência severa de vitamina C, em que os sintomas retrocitados aparecem com intensidade cada vez mais forte.

- Ocorrem diversas manifestações hemorrágicas no escorbuto, desde os ossos até a pele. Pode haver sangramento interno à mais leve pancada.

- Os locais afetados pela hemorragia constituem uma porta aberta para infecções secundárias.

- A deficiência de ácido ascórbico pode levar a sintomas neuropsíquicos, como hipocondria, histeria e depressão.

 

Necessidades nutricionais

- O Food and Nutrition Board recomenda 45 mg/dia de vitamina C para o adulto.

- No primeiro ano de vida, as crianças devem ingerir 35 mg/dia.

- Durante a gestação, recomendam-se 60 mg/dia; na lactação, 80 mg/dia.

- A FAO/OMS recomenda 30 mg/dia para adultos (após os 13 anos); 50 mg/dia durante a gravidez e lactação, e 20 mg/dia do nascimento aos 13 anos.

- Alguns estudiosos consideram estas quantidades insuficientes, recomendando doses mais elevadas.

 

Boas fontes alimentares

As frutas cítricas são a fonte mais conhecida de vitamina C, destacando-se o limão. O morango, o melão, a cereja-do-pará, o caju, a manga, entre outras frutas, também são ricos em vitamina C. Entre as hortaliças, destacam-se o pimentão, principalmente o amarelo, a bertalha, o brócolis, o caruru, a couve, o nabo e outras. Das frutas, as mais ricas em vitamina C, atualmente muito em voga, são a acerola e o camu-camu.

 

Hipervitaminose

- O excesso de ácido ascórbico, que não ocorre por via alimentar, mas através da utilização de concentrados vitamínicos, pode favorecer a formação de cálculos renais de oxalato, urato e cistina.

- O organismo tenta ajustar-se ao excedente de vitamina C aumen¬tando a taxa de catabolismo. Quando, nesta situação, a ingestão de vitamina C é diminuída e trazida ao nível normal, ocorrem sinais de escorbuto, pois o metabolismo demora algum tempo para voltar à normalidade.

- Podem ocorrer desordens no metabolismo ósseo, na altura da utilização de cálcio e fosfato pela matriz óssea.

 

Fatores de estabilidade e instabilidade

O ácido ascórbico é facilmente oxidado quando em solução, espe¬cialmente quando exposto ao calor. A cocção leva a signifi¬cativa perda de vitamina C. A oxidação é acelerada pela alcalinidade e por certos metais, como o cobre. O contato com o ar também intensifica a perda, de modo que alimentos finamente cortados, triturados e liquidificados perdem rapidamente a vitamina C. O congelamento e a refrigeração ajudam a preservar este nutriente.

 

Fumo e vitamina C

O fumo é um antagonista da vitamina C. Possivelmente, a absorção é prejudicada, pois há menos ácido ascórbico disponível no organismo de fumantes do que no organismo de não-fumantes. Alguns trabalhos demonstram que a nicotina propicia a liberação de serotonina, que requer ceruloplasmina para a oxidação. A secreção desta última, por seu turno, está envolvida na oxidação de ácido ascórbico em ácido deidroascórbico, que sofre isomerização para ácido dicetogulônico, ainda no trato gastrintestinal. Deste modo, a nutrição dos fumantes é afetada quanto ao aproveitamento da vitamina C, o que os expõe à carência, entre muitos outros estados mórbido-carenciais. Não é sem razão que a totalidade dos profissionais de saúde hoje afirmam peremptoriamente que o fumo é um dos maiores inimigos da adequação nutricional e da saúde.

 

Vitamina C e aterosclerose

Algumas pesquisas têm mostrado que a vitamina C ajuda a diminuir o colesterol no sangue, o que contribuiria para a prevenção da aterosclerose. Provavelmente, o ácido ascórbico atuaria na conversão de colesterol em ácidos biliares, participando em reações de hidroxilação. Para desempenhar este papel, acreditamos que a vitamina C deve ser fornecida em quantidade adequada através do uso de frutas cítricas.

Vitamina C e câncer

Embora vários pesquisadores proponham uma função preventiva da vitamina C em relação a certos tipos de câncer, são necessários estudos comprobatórios. Não obstante, a adequação desta vitamina tem que ver diretamente com o grau de vitalidade do organismo, por sua vez correlato ao nível de resistência a processos degenerativos. É, portanto, conveniente introduzir na dieta boas fontes alimentares de ácido ascórbico.

 

 
Teor de vitamina C em alguns alimentos (mg em 100g):
Bertalha
109,0
Beterraba (folhas)
58,0
Bredo
77,4
Brócolis (folhas)
80,8
Caju amarelo
219,7
Caju vermelho
274,8
Caruru
74,4
Cebola pequena
50,0
Couve-manteiga
108,0
Couve-flor
72,0
Fruta-de-conde (verde)
125,0
Goiaba
80,2
Groselha-preta
180,0
Laranja-da-baía (suco)
47,5
Limão comum (suco)
79,0
Mamão
57,0
Manga
43,0
Manga-rosa (meio madura)
71,4
Manga-rosa (verde)
146,0
Nabo branco (folhas)
65,9
Pimentão amarelo
334,1
Pimentão verde miúdo
191,6
Pimentão vermelho
180,0
Pitomba
54,0
Rabanete vermelho (folhas)
56,6
Rábano preto (folhas)
73,6
Salsa
183,4
Tangerina
46,8
Uvaia
200,4
 

 

 

Programa Saúde Total

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