Catarata

Catarata

 Que é catarata?

 

Você já olhou por detrás de uma queda-d’água? É mais ou menos assim que enxerga o portador de catarata, e é essa a origem do nome. Catarata é a perda de transparência do cristalino, que fica opaco. As imagens aparecem turvas, enevoadas. Se a opacificação é total, perde-se a visão. Expliquemos primeiramente o que é o cristalino, sua função e onde se situa.

 

O cristalino

 

Funciona, no olho, como uma lente, focalizando automaticamente as imagens. Dotado de estrutura incrivelmente elástica, muda rapidamente de formato, alterando sua curvatura, o que permite focalização precisa de imagens que estão perto ou longe. Está suspenso no olho pelo corpo ciliar, de onde sai um finíssimo conjunto de fibras, comandadas por um grupo de pequenos músculos involuntários. Os raios de luz passam pelo cristalino, que os filtra e direciona para a mácula, ponto vital da retina, responsável por 90% da visão.

Tem contornos semelhantes a um grão de lentilha, mas é algo maior: mede 11 por 6mm (a medida maior é a altura). Ocupa, no olho, 1/20 da cavidade.

O cristalino é formado por uma membrana fina e transparente, que contém um material também transparente. Esse material é formado por células cúbicas, que se dispõem paralelamente à superfície, e por uma subs­tância intercelular incolor. Como a função do cristalino é regular a passagem de luz, qualquer “embaçamento ou mancha” trará prejuízo à visão. É como ilustramos: a lente de sua câmara fotográfica ou filmadora está suja.

 

Como e quando se manifesta a catarata?

 

Diferentemente do que muitos pensam, não é doença exclusiva da terceira idade. Embora seja mais comum em idosos, pode aparecer já ao nascimento (catarata congênita), e em pessoas jovens ou de meia-idade, como conseqüência de acidentes ou doenças do metabolismo.

A catarata não dói, pois não há nervos atravessando o cristalino. Costuma começar como pequeno ponto enevoado atrapalhando a visão, ou pequenas áreas de embaçamento, que aumentam aos poucos.

É comum que a catarata ataque primeiro um olho e depois o outro, até que ambos sejam afetados. O processo pode levar anos para evoluir até a total opacificação do cristalino, ou permanecer aparentemente estacionário durante longo tempo.

Didaticamente, podemos dividir as cataratas em congênitas (com que já se nasce) e adquiridas, que aparecem ao longo da vida, especialmente na senilidade, por diversas causas.

 

Catarata da criança (congênita)

 

A catarata congênita é um distúrbio que se desenvolve no embrião durante a gravidez. Até o terceiro mês exibe rápida diferenciação, no embrião, uma estrutura chamada ectoderma, sujeita a lesões no caso de a mãe ser acometida por doenças como rubéola, tifo exante­mático, sarampo e outras produzidas por vírus. Como o cristalino deriva do ectoderma primitivo, se essa estrutura for danificada, a criança poderá já nascer com catarata. Outros órgãos também poderão ser afetados, como coração, ouvido, músculos etc. Felizmente, porém, no que diz respeito ao olho, as camadas periféricas do cristalino são preservadas, o que torna a opacificação apenas parcial.

Os especialistas recomendam que se estude a possibilidade de cirurgia corretiva quanto antes, pois a entrada insuficiente de luz no olho poderá produzir problemas maiores, por causa da falta de estímulo ao desenvolvimento da mácula. Quanto mais cedo a intervenção, mais rapidamente a criança se adaptará ao ambiente, pois a deficiência visual, como se sabe, acarreta importante prejuízo ao desenvolvimento psicomotor e social.

Como descobrir que a criança tem catarata? Quando a mãe contrai uma das doenças citadas durante a gravidez, como rubéola, é importante verificar essa possibilidade. Um esbran­quiçamento que pode ser notado através da “menina-do-olho” (pupila), é sinal de catarata, designada “polar anterior” pela sua localização, fácil de observar a olho nu. Quando os pais percebem qualquer sinal de dificuldade de visão no bebê ou criança pequena, que poderá não se queixar, devem imediatamente submeter o problema ao oftalmologista. Não se tomando providência a tempo, há risco de cegueira, pois grande parte do olho fica inativo.

A catarata zonular, mais comum, é relativamente difícil de notar, pois começa numa região chamada zônula, onde o cristalino se prende ao olho, espalhando-se daí como raios, até atingir o centro.

É interessante observar que, nessas circunstâncias, a visão é melhor quando há pouca luminosidade, pois a pupila se dilata, expondo as partes não atingidas do cristalino.

 

Cataratas adquiridas

 

Podem ser divididas em três grupos:

traumáticas, metabólicas e senis.

Cataratas traumáticas

 

Como vimos, o cristalino é protegido por uma membrana fina. Num acidente em que há penetração de objeto cortante ou pancada, essa membrana pode romper-se. O humor aquoso, que banha a parte da frente do globo ocular, penetra, então, no cristalino, produzindo reações que o deixam total ou parcialmente opaco. Ferimentos que atingem o cristalino podem trazer complicações sérias, já que essa estrutura é pobremente vascularizada e não dispõe de recursos apropriados para defender-se de uma infecção.

Irites, ou inflamações da íris, podem comprimir o cristalino e lesá-lo, trazendo como conseqüência uma catarata.

 

Cataratas metabólicas

 

Certos distúrbios metabólicos, como diabetes melito e insuficiência da paratireóide, podem ocasionar catarata. Isto acontece geralmente porque essas disfunções alteram o mecanismo de utilização de eletrólitos como o cálcio. No caso de insuficiência da paratireóide, o paratormônio, segregado por aquela glândula, diminui, e como é ele responsável pela manutenção da solubilidade do cálcio, partículas desse mineral começam a depositar-se em regiões do corpo, como o cristalino.

No diabetes melito há inúmeras perturbações metabólicas que podem, entre outras coisas, favorecer a precipitação de cálcio no cristalino. As células das fibras que formam o cristalino ficam inchadas e impregnadas de cálcio. Há uma opacificação total, com resultante cegueira.

Catarata senil

 

Ainda não se conhece o processo pelo qual as células das fibras do cristalino se vão degenerando, com perda de transparência. Sabe-se que há deposição de sais de cálcio, mas ainda não se conhece o porquê disso.

Trata-se de manifestação típica da terceira idade, intensificando-se com o passar dos anos, sendo mais comum em certas pessoas do que em outras.

A catarata senil pode afetar a periferia do cristalino (catarata cortical), o que se pode observar facilmente pelo aspecto leitoso que se nota através da “menina-do-olho”. Nessa forma de cata­rata, mais comum depois dos cinqüenta anos, a visão é melhor sob luz forte, pois o centro do cristalino fica mais ou menos preservado, e é a luz forte que faz a íris contrair-se, de modo que os raios luminosos incidam sobre o centro. No começo há também problemas de focalização, por causa de inchação do cristalino. O uso de óculos melhora o foco, mas não altera o padrão de manchas.

Na catarata nuclear, que se desenvolve mais comumente após os 60 anos, o cristalino fica opaco ao centro, mais que na periferia. Ao contrário do problema anterior, a visão melhora sob luz fraca e piora quando há muita luz.

 

Causas

 

Há muita especulação sobre possíveis causas para a catarata senil. A maioria dos especialistas não-naturistas atribui essa doença, a uma suscetibili­dade individual e hereditária, associando-a ao declínio da vitalidade normalmente relacionado ao envelhecimento.

Os naturopatas condenam o estilo de vida do homem moderno pela alta incidência de cataratas. A principal culpa recai sobre a alimentação.

As possibilidades que mencionaremos em seguida ainda permanecem no campo das hipóteses.

Excesso de exposição a raios infra­vermelhos e ultravioletas. Cães que ador­­­­­­­mecem diante de lareiras, em lugares frios, apresentam maior susceti­bili­dade a cataratas, segundo observações de estudiosos.

Supõe-se que a exposição excessiva a microondas provenientes de fornos, ou a ondas de radares, possa favorecer o aparecimento de cataratas.

No livro A handbook of natural remedies for common aliments, Linda A. Clark transcreve as palavras de um oftalmologista inglês, não identificado por ela, que achamos interessante aqui reproduzir: “O cristalino se mantém translúcido graças ao fluxo do humor aquoso, que provém da corrente sangüínea. Quando esse fluxo se torna muito vagaroso, o cristalino não é suficientemente ‘nutrido’ e fica como uma janela suja. À medida que a situação se vai agravando, formam-se áreas completamente opacas que prejudicam a visão. Certas doenças do corpo produzem impurezas no sangue que alteram o humor aquoso, propiciando o aparecimento de cataratas.”

Há certos produtos químicos e medicamentos suspeitos de provocarem catarata. Citam-se nitritos e nitratos, usados inescrupulosamente no tratamento de carnes, toucinho, presunto, salsicha e carnes enlatadas, para conferir-lhes melhor aspecto. Pairam suspeitas também sobre o sorbitol, adoçante para vários alimentos industrializados, que causa agravamento da catarata em animais.

A radiação pode, na opinião de estudiosos, produzir catarata. Não se refere aqui somente à contaminação proveniente do lixo atômico ou acidentes nucleares, mas a teores baixos e contínuos de radiação, emitidos por TVs, computadores, celulares, microondas etc.

A tensão emocional também parece contribuir para o aparecimento de cataratas, às vezes de modo decisivo.

De todas as possíveis causas, a má alimentação é a mais enfatizada. O consumo regular de fast-food, guloseimas, alimentos brancos, dieta predominantemente cozida, queijos curados etc., cria congestionamento metabólico e nutrição celular deficiente. Isto acaba afetando a nutrição do próprio am­biente ocular. Nos próximos tópicos explicamos mais pormenorizadamente a influência da dieta.

 

Opinião dos estudiosos da vida natural

 

Os naturopatas interpretam os problemas oculares sob a mesmo conceito de que as doenças não são apenas locais, mas resultado de perturbações sistêmicas. Acreditam que a catarata é um dos muitos indícios de má saúde, ou do declínio da energia vital, e que resulta do mal funcionamento dos tecidos oculares, produzido, em grande parte, por bombardeio de radicais livres. Pode ser precipitada, na prática, por fatores diversos, como má digestão crônica, distúrbios no metabolismo hepático, aterosclerose, má nutrição, problemas circulatórios e diabetes melito.

Tratamento convencional

 

O tratamento convencional é cirúrgico. Remove-se ou substitui-se o cristalino nublado por lentes especiais. Óculos com lentes biconvexas ou lentes de contato realizam o papel desse órgão, fazendo com que os raios luminosos convirjam para o ponto certo na retina. Para diminuir a intensidade da luz, filtrada pelo cristalino, o especialista poderá indicar lentes escuras.

As cirurgias são bem-sucedidas na quase totalidade dos casos.

Vitaminas e outros nutrientes*

 

Alguns nutrólogos indicam reforços de vitaminas A, E, B2, B12, ácido pantotênico, ácido orótico, vitamina C e magnésio, encontrados, por exemplo, em complexos especialmente manipulados e na levedura de cerveja enri­que­cida (a levedura contém a maior parte dessas vitaminas). Pesquisas com dosagens diárias­ de vitamina B2 (riboflavina) de 15mg, fizeram retroceder a opacidade do cristalino depois de alguns meses de tratamento. Estas foram as observações do Dr. Lewis Sydenstricker, do hospital da Universidade de Geórgia. O mais interessante no experimento foi que, ao pararem de usar a vitamina, os pacientes voltaram a desenvolver catarata.

Carlton Fredericks refere-se a um médico, citado no New England Journal of Medicine, que administrou a um de seus pacientes 4.000mg diários de vitamina C durante treze anos. O resul­tado, surpreendente, foi o desaparecimento da opacidade que lhe dificul­tava a visão.

O triptofano, aminoácido presente em quase todas as proteínas, deve ter seus requerimentos adequadamente atendidos, na opinião de estudiosos do assunto.

Conclui-se, com base nos bons resultados obtidos em estudos isolados com vários nutrientes (vitamina B2, magnésio, vitamina C etc.), que não existe magia numa vitamina ou mineral em particular. O segredo da saúde e da cura reside no adequado suprimento das necessidades nutricionais das células. Muitas vezes, nossa ingestão de determinado nutriente pode ser considerada adequada, mas o organismo não o assimila satisfatoriamente. Procedendo-se a uma desintoxicação, que desobstrui os canais metabólicos e, em seguida, a uma complementação multi­vitamínica e mineral, obtêm-se resultados impressionantemente positivos!

Sugestões naturais

 

A prevenção requer estilo de vida saudável. No caso de doença já instalada, não se subestima o papel da cirurgia, muitas vezes o único meio de recuperar o que já se perdeu. Contudo, os tratamentos naturais podem melhorar o prognóstico, pois desin­toxicam o corpo e fortalecem o sistema imunitário.

Referem-se casos de tratamento da catarata com remédios tradicionais, que citaremos para efeito de pesquisa.

Não se deve esquecer, porém, a necessidade de unir a qualquer terapia uma atitude decidida de mudar a alimentação e o estilo de vida.

Cada pessoa poderá reagir de mo­do diferente ao uso de um mesmo trata­mento. Talvez para uma pessoa funcione muito bem determinada indicação, ao passo que para outra não aconteça o mesmo. Cada organismo e o problema de saúde que o acomete exibem peculiaridades que interferem decisivamente no resultado. Por isso, é recomendável observar orientação de um profissional experiente.

O colírio da Cyneraria mari­tima é usado há muito tempo pela homeopatia contra a catarata. Pesquisas mostraram que, no começo da doença, a Cyneraria ajudou a deter e mesmo eliminar a opacidade. Estudos conduzidos por oftalmo­logistas mostraram que, mesmo em estado avançado, 22,5% dos pacientes tratados com Cyneraria obtiveram bons resultados. A dosagem habitual é uma ou duas gotas, no olho, de manhã e à noite, conforme critério médico. À venda em farmácias homeopáticas.

Há, em manuais de fitoterapia, indicação do uso do chá da camomila. Depois de frio, filtrar e colocar o chá num vidrinho esterilizado, com conta-gotas. Aplicar várias gotas nos olhos de manhã e à noite.

John Bohlender* conta, num artigo publicado na revista Lets Live, uma história interessante sobre catarata. Intuitivamente resolveu tratar seu velho cavalo, que estava ficando cego, com mel puro. Ao aplicá-lo, o animal escoiceou violentamente. Depois de algum tempo, conta, o cavalo enxergava bem melhor. Resolveu, então, experimentar em si mesmo o método, pois a esta altura estava atacado de catarata. Apesar do ardor que produzia, Bohlender insistiu no uso do mel três vezes por semana. Percebeu que sua visão melhorava, até que pôde, aos oitenta e cinco anos, deixar de lado os óculos. Sua esposa, que era médica, simplesmente não acreditava em remédios naturais. Mas, alguns anos depois, veio ela própria a sofrer de catarata. Antes da cirurgia resolveu experimentar o “inócuo mel”. Obteve tão bom resultado que não precisou fazer a cirurgia. Outrossim, o casal mudou sua alimentação, o que também contribuiu para a notável melhora do quadro.

A indicação é o mel de jataí ou eucalipto, passado com o dedo bem limpo no canto do olho, três vezes por semana. Produz ardência muito forte, mas que logo cede. Citamos este caso a título de curiosidade e disponibilidade para pesquisa. Observar orientação médica.

Alguns terapeutas (como John Tobe)* sugerem o uso de óleo de rícino. Umedecer a ponta do dedo, bem lavada, em óleo de rícino, levando-a ao canto do olho, de onde o produto se espalha. Depois de um mês, não havendo melhora, mudar para óleo de linhaça (não aquele vendido em lojas de ferragens, mas em farmácias). Usar um vidrinho esterilizado, com um conta-gotas. Aplica-se uma gota toda noite. Tobe menciona o caso de um médico que, aos noventa anos, não usava óculos e atribuía sua excelente visão ao óleo de linhaça. Esse mesmo médico era conhecido pelos bons resultados obtidos no tratamento de cataratas com esse método.

Outro tratamento popular é o uso de água marinha filtrada (não a água do mar poluída do litoral): duas gotas nos olhos à noite e de manhã. Quem já experimentou essa terapia explica que a irritação, que dura alguns segundos, logo cessa, dando lugar a uma sensação de bem-estar.

Obras de Medicina natural citam as compressas de batata crua ralada, aplicada entre duas camadas de gaze. Deixar uma hora sobre os olhos.

 

Hidroterapia

 

Banhos frios com fricção de bucha natural no corpo, para restauração da energia vital. Banhos de cachoeira. Deixar que jatos d’água não muito fortes massageiem o olho fechado.

 

Outras terapias

 

O método Bates de relaxamento ocular é também útil no tratamento da catarata. Estudos mostram que pode ser útil em muitos casos. Há no mercado obras que ensinam a correta aplicação desse método, que requer muita perseverança, ingrediente aliás necessário ao êxito de qualquer tratamento.

Uma série de exercícios de alongamentos da cabeça é particularmente indicada para melhorar a visão e promover o relaxamento geral. Devem ser feitos diariamente, durante uns dez minutos. Os resultados são surpreendentes:

1. Com o pescoço bem esticado, sentado, deixe cair a cabeça, com cuidado, três vezes para frente e três vezes para trás.

2. Três vezes para o lado direito e três vezes para o lado esquerdo.

3. Gire três vezes a cabeça para um lado, depois para o outro.

Exercícios físicos

 

A importância dos exercícios físicos, apropriados e regulares, na manutenção e recuperação da saúde, é soberana. Não há saúde, nem pode haver restauração das forças vitais sem exercício físico, que melhora a circulação do sangue, e, por facilitar as trocas metabólicas, permite melhor suprimento de oxigênio e nutrientes para as células.

Conheço vários casos de exuberante saúde e longevidade, em que o exercício físico diário era parte religiosa do programa de vida.

Há também, no caso particular da catarata, testemunhos vibrantes do benefício auferido por pacientes que associaram à dieta e às plantas o exercício físico. Sei do caso de uma velhinha que, extremamente debilitada, com Mal-de-Parkinson e quase cega, mudou a alimentação e resolveu, com vontade de ferro, praticar exercícios físicos. Em princípio, começou a mexer-se na cama, sob adequada orientação. Com o passar das semanas, já podia exercitar-se em pé, apoiada à cabeceira. Não demorou para que pudesse fazer sua ginástica sem qualquer apoio. Dentro de alguns anos sentia-se tão entusiasmada que, ao receber uma visita, não deixava de falar-lhe sobre o benefício do exercício corporal, convidando-a até para acompanhá-la. Se o visitante se atrevia a experimentar, acabava exausto, enquanto a animada velhinha continuava por muito tempo num ritmo firme, sem demonstrar cansaço. Não é de admirar que, com tal impressionante melhora da saúde geral, tanto a catarata como o Mal-de-Parkinson melho­­raram expressivamente. Sra. Laurie, como era chamada, ultrapassou os noventa anos.

Que é caxumba?

 

Caxumba ou parotidite é uma infecção comum na infância, provocada por um vírus. Transmite-se através de gotículas de saliva. Quando ficamos perto de alguém doente, a tosse, a fala ou o espirro liberam no ar inúmeros vírus, que penetram pelo aparelho respiratório, onde se alojam. Ficam ali, quietinhos, por algumas semanas (período de incubação). Ingressam, então, na corrente sangüínea, por onde viajam através do corpo. Chegam, finalmente, às glândulas salivares parótidas, sua região predileta, e ali fazem o estrago.

Trata-se de doença muito contagiosa. Onde quer que haja aglomerações de crianças, como escolas, parques, clubes, quando uma é atacada por caxumba, não demora muito para que várias outras crianças contraiam também a doença, que assume características epidêmicas.

O corpo responde, geralmente, de modo muito eficiente ao ataque viral, produzindo anticorpos que imunizam o organismo pelo resto da vida. Por isso é raro aparecer caxumba em adultos. Mas, quando aparece, as possibilidades de complicação são incomparavelmente maiores.

Porém, há casos em que a produção de anticorpos, por alguma razão não bem conhecida, não é suficiente, e a caxumba torna a aparecer mais tarde.

A caxumba é mais freqüente entre 5 e 15 anos. Mas pode ocorrer em qualquer idade, depois dos seis meses. Até o sexto mês de vida o bebê está protegido pelos anticorpos que a mãe lhe forneceu pelo aleitamento.

 

Como se manifesta?

 

As parótidas são glândulas que produzem saliva, localizadas sob as orelhas, estendendo-se até a divisa entre a face e o pescoço.

Raramente as duas parótidas são afetadas ao mesmo tempo. Se acontece infecção dupla, um lado é atingido primeiro, e quando começa a desinchar, o outro cresce. O povo chama de “papeira” ou “cara de gato” a deformação característica da caxumba.

Depois do contágio o vírus ainda leva entre 12 e 26 dias (mais freqüentemente 18 dias) para produzir os primeiros sintomas. Tudo começa com leve mal-estar. Dor de cabeça, inapetência, febre baixa, calafrios e dores pelo corpo são alguns dos primeiros sintomas. Como esse conjunto de reações é o mesmo no começo de várias infecções, até numa gripe, fica difícil saber ao certo do que se trata, nessa etapa. A diferença aparece lá pe­­lo segundo ou terceiro dia, quando começam a surgir dor e distensão na pele, sob a orelha, atrás da mandíbula, na região da parótida. O inchaço assume a consistência de massa dura, como borracha, e a pele fica brilhosa, esticada. Incha tanto que some o ângulo do queixo: o pescoço “emenda” com a face. Dói muito. A febre sobe, podendo tocar nos 38,8, 39 ou 40°C. Fica difícil falar, mexer a cabeça, abrir a boca e comer. Isso faz com que a criança torne-se apática, triste, e rejeite os alimentos. O ciclo do vírus geralmente dura uma ou duas semanas. Em questão de alguns dias o inchaço tende a diminuir.

É interessante comentar que cerca de um terço dos pacientes não chega a tomar consciência de que seu mal-estar foi provocado pelo vírus da caxumba, pois os sintomas são muito leves. Atribuem-no a outros fatores. A doença manifesta-se assim, brandamente, em certas pessoas, talvez pelo fato de o organismo reagir com maior eficiência.

 

Complicações

 

As complicações da caxumba acontecem mais amiúde em adultos e representam cerca de 1% dos casos. São, portanto, raras.

O vírus da caxumba prefere atacar as parótidas, como vimos, mas pode trazer problemas para outros órgãos, como testículos e meninges. Mais raramente ataca ovários, mamas, pâncreas, tireóide, coração e fígado.

A complicação que o povo mais teme é a “caxumba que desce”, afetando o testículo. Trata-se da orquite, que aparece quando a inchação do rosto diminui. O testículo fica quente, começa a inchar e doer (orquite). A febre e o mal-estar aumentam. Em cerca da metade dos pacientes tudo desaparece em aproximadamente uma semana, sem maiores problemas. Contudo, há casos em que a inflamação produz lesões importantes no testículo, determinando esterilidade total ou parcial. Nas mulheres adultas pode ocorrer inflamação de ovário (ooforite) que, além de rara, não parece ser causa de esterilidade.

A possibilidade de o vírus afetar o pâncreas, o coração, os rins e a tireóide existe, mas é remota. Normalmente não há complicações dignas de nota, a me­nos que o paciente esteja muito debilitado.

No caso da invasão do sistema nervoso pelo vírus, um dos principais sintomas é a dor de cabeça forte. Dificilmente acontecerão episódios como meningite ou encefalite, mas, na eventualidade de ocorrerem, o prognóstico é, com o adequado acompanhamento médico, geralmente bom. Há raros casos de surdez resultante de lesão por vírus da caxumba. A surdez, entretanto, costuma ser de caráter temporário.

 

 

Compressas

 

Indicam-se diferentes compressas e cataplasmas em medicinas tradicionais. A mais simples é com água morna: ferver um litro de água e deixar esfriar até atingir uma temperatura agradável, morna. Mergulhar um pano limpo de algodão, torcê-lo e aplicar no local. Repetir várias vezes essa operação. Pode-se, em lugar de água, usar chá de camomila.

Outra indicação é o emplastro de ovo, farinha de trigo e alho, que se prepara da seguinte maneira:

1 ovo inteiro

2 dentes grandes de alho

2 colheres de farinha de trigo

Colocar o ovo com casca no liqui­dificador, juntamente com o alho. Bater. Acrescentar a farinha até adquirir consistência. Aplicar localmente, interpondo um pano fino entre a pele e o emplastro. Aplicar uma vez ao dia, morna-quente, deixando uma hora sobre o local. Amarrar a compressa com fralda ou toalha.

Emplastro de inhame: ralar 100g de inhame cru, pôr numa panela, acrescentar farinha de trigo e cozinhar um pouco, até adquirir consistência de pasta. Aplicar uma vez ao dia, morno-quente, deixando uma hora sobre o local. Amarrar a compressa com fralda ou toalha.

 

Profissionais e amadores da fotografia e da filmagem, às dezenas, disputam o melhor lugar, enquanto cresce a ansiedade na espera do sinal que anunciará a entrada da noiva. Você, com sua filmadora nova, se espreme entre os convidados, tentando encontrar um ângulo de visão favorável. Toca a marcha nupcial. Todos se levantam. Você, de seu cantinho apertado, dispõe de poucos segundos para garantir o principal objetivo da filmagem. Mas, logo ao enquadrar a idílica imagem da noiva, percebe que a lente está suja. Não há tempo, agora, para remediar. O filme sai com uma enorme mancha opaca quase ao centro.

É mais ou menos isso que acontece com o olho, na catarata. Enxerga-se o mundo embaçado. A lente do olho, que é o cristalino, fica opaca. Entenda aqui como isso acontece, e que espécie de “consertos” se podem realizar.

Alimentação

* Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

Os defensores do estilo de vida natural estão convencidos de que a catarata é um dos muitos tributos que o homem moderno paga ao seu modo de comer e viver. Associam catarata e distúrbios visuais com alimentos desestabilizadores do metabolismo, como excesso de laticínios, gorduras sólidas, carnes, açúcar e produtos artificiais, elaborados com aditivos químicos. O açúcar e os laticínios são, no caso da catarata, mencionados com muita ênfase. A galactose do leite produz catarata no cristalino de ratos. Uma dieta sem a galactose reverte parcialmente o quadro. Deve-se adotar alimentação natural, rica em frutas, cereais integrais e vegetais frescos, que asseguram funcionamento desimpedido da máquina metabólica. Cortem-se, também, embutidos, queijos curados, café, conservas, alimentos salgados, molhos industrializados etc.

Ingerir freqüentemente cenoura, nabo, agrião e abóbora.

Muitos terapeutas naturistas concordam em que a catarata, bem como as perturbações reumáticas, são “doenças dos alimentos cozidos”. Adotando-se dieta abundante em alimentos crus, esses distúrbios tendem, na sua observação, a melhorar gradativamente!

 

Dieta terapêutica natural

Uma dieta alcalinizante será de grande valia não só na prevenção da catarata, mas para otimizar o funcionamento global do corpo. Sugere-se, para idosos, um programa como este:

Por algumas semanas:

Uma hora antes do desjejum (ou em seu lugar), bebida alcalinizante (ver como preparar à página 138). Desjejum e jantar: uma só qualidade de fruta, a escolher: mamão, maçã, uva, abacaxi, laranja, pêssego, manga etc. Almoço: primeiramente saladas cruas e suco de hortaliças (cenoura com broto de alfafa); em seguida, alguns legumes cozidos. Arroz integral com lentilha ou salada de grão-de-bico e um assado naturista (como assado de espinafre ou pastel de forno). Não mais que duas ou três vezes por semana, um ovo caipira cozido. Tofu ou carne vegetal (proteína texturizada de soja), não mais que uma ou duas colheres das de sopa, é um complemento protéico que pode entrar duas ou três vezes na semana, em lugar do ovo. Para concluir o almoço, umas dez amêndoas. Mastigar bem. Não comer em excesso.

Esse regime pode ser mantido por algumas semanas e repetido, todos os meses, pelo menos por uma semana, e todas as semanas, pelo menos por um ou dois dias. O fato de se substituir o desjejum e o jantar por uma só fruta ajuda de modo notável na “limpeza” do metabolismo. O almoço substancioso equilibra a dieta. Nos intervalos, havendo fome, utilizar fruta.

Durante esse tratamento, ingerir suplementos vitamínico-minerais, mas não megadoses. Sugere-se a levedura de cerveja, na dose de 9 comprimidos de 250mg diários. Outrossim, deve-se acrescentar à dieta regular alimentos nutritivos, como germe de trigo, tofu, aveia, amêndoas e brotos.

Se puder utilizar vegetais sem agrotóxicos, os resultados serão melhores.

 

* Sugestões naturais podem apresentar, na prática, bons resultados, mas não suprimem o estudo das causas e a orientação médica.

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.