Cólera

Cólera

 Que é cólera?

 

Cólera é doença infecciosa aguda, causada pelo Vibrio cholerae (vibrião colérico), que coloniza o intestino delgado. Caracteriza-se por ocorrer como epidemia, representando grande desassossego para a saúde pública, e por manifestar-se na forma de diarréia, que nos casos mais graves é muito intensa, com grande perda de líquido e solutos, podendo ser fatal.

 

Como se manifesta a cólera?

 

O vibrião colérico produz uma enterotoxina protéica que irrita a mucosa intestinal, cuja resposta é a hiper­secreção de líquido, que desencadeia a diarréia. As fezes, líquidas e claras, parecem água de arroz. Há grande perda de potássio, sódio, líquido e outros eletrólitos. Ocorre, além da desidratação, acidose por perda de base.

O período de incubação é de 12 a 48 horas. Em seguida, começa subitamente a diarréia, que geralmente não produz dor, mas muita fraqueza pelas perdas que acabamos de referir. Em questão de horas, vários litros de líquido são perdidos, o que leva ao choque profundo. A perda de líquido por via intestinal pode chegar a um litro por hora! Se não for logo tratada e compensada poderá ocasionar rapidamente choque hipovolêmico e morte. Os vômitos podem vir antes da diarréia, ou acompanhá-la. Comumente o vômito não é precedido de náusea, e sai sem esforço. À medida que o corpo perde sais, começam as cãibras, freqüentes nas panturrilhas.

O paciente apresenta-se extremamente debilitado, sem cor, com pulso quase imperceptível, olhos fundos, taquicardia (pulso acelerado), pressão baixa, respiração curta e rápida e voz fraca.

A intensidade e a gravidade das manifestações dependerão de vários fatores, como a resistência do organismo do doente e a cepa da bactéria. Há casos que evoluem benignamente, como uma diarréia passageira. Há, entretanto, situações extremamente graves, em que o enorme déficit hidroeletrolítico leva à morte em questão de horas ou dias, por hipovolemia, acidose metabólica ou uremia. Pacientes mal nutridos e crianças exibem maior perigo.

 

Tratamento em hospital

 

O paciente hospitalizado receberá, via endovenosa, líquidos e sais para repor suas grandes perdas. Costuma-se utilizar a solução lactada de Ringer, ou a solução de um litro de água destilada com 5g de cloreto de sódio, 4g de bicarbonato de sódio e 1g de cloreto de potássio, sem pirógenos. Inicialmente se pode infundir a solução endo­venosa na velocidade de 50 a 100ml por minuto, até que se restaure a pulsação. Deve-se observar intensivamente­ a resposta do paciente ao tratamento, prevenindo-se a hidratação insu­­­­­­ficiente e, no outro extremo, a hidra­tação excessiva. Para tanto, recomenda-se observar enchimento venoso do pescoço e proceder regularmente à ausculta pulmonar.

Se a hidratação é insuficiente, poderá instalar-se insuficiência renal aguda. No caso de crianças a depleção de potássio assume significado mais sério, sendo recomendado acrescentar potássio ao soro conforme orientação médica.

 

Advertência

Os métodos naturais e caseiros só devem ser aplicados quando não é possível obter ajuda médica. Ou, sob supervisão médica. Em caso de suspeita de cólera, deve-se procurar imediatamente uma unidade de saúde.

 

Prevenção

 

A melhor maneira de prevenir a cólera é a higiene. Algumas medidas reco­mendadas:

1. Lavar cuidadosamente as mãos antes de comer.

2. Ferver e filtrar a água de consumo.

3. Saneamento básico; tratamento de esgotos.

4. Lavar muito bem os alimentos. Lavar várias vezes as hortaliças. Deixá-las de molho em solução de hipoclorito de sódio (disponível em farmácias) ou solução de sal e limão, antes do uso. La­var e descascar as frutas.

5. Nunca ingerir frutos do mar crus ou mal-passados. É melhor descartá-los da alimentação.

6. Redobrar os cuidados em zonas endêmicas. No caso de manifestações suspeitas, procurar imediatamente avaliação médica.

Recentes ressurgimentos de epidemias de cólera apavoram o mundo. No passado, de 1867 a 1868, e em séculos anteriores, a cólera ceifou a vida de milhares de pessoas.

Nas regiões do delta do Ganges, de Bengala Ocidental, e em Bangladesh a cólera atacou sem trégua durante mais de um século, e ainda é um mal endêmico. No sudeste da Ásia vez por outra ataca em ondas de epidemia. Entre 1961 e 1981 a doença disseminou-se por vários países, a partir da Ásia, subindo de Celebes até a Coréia, e dali para toda a África e sul da Europa. Não é incomum ocorrerem casos isolados em diferentes partes do mundo. Mesmo nos Estados Unidos, na costa de Louisiana, em 1978 registraram-se onze casos, como conseqüência da ingestão de caranguejos contaminados. No fim da década de 80 e começo da de 90, foi a vez da América do Sul, com grandes surtos no Peru, donde a cólera se disseminou para países vizinhos, inclusive o Brasil.

 

Tratamento via oral

Onde não é possível recorrer a tratamento médico hospitalizado deve-se adotar o seguinte procedimento: Administrar, de cinco em cinco minutos, alguns goles de um dos seguintes soros caseiros:

1. Em um litro de água fervida colocar duas colheres, das de sopa, de mel (quando não há mel, usar melado, rapadura, açúcar preto ou mesmo açúcar refinado), um quarto de colher, das de chá, de sal refinado (cuidado para não exagerar no sal), um quarto de colher, das de chá, de bicarbonato de sódio. Se não há bicarbonato, substituí-lo pelo sal, usando, ao todo, meia colher, das de chá, de sal. Acrescentar um quarto do suco de um limão e o suco de uma laranja. Mexer bem. Administrar goles de cinco em cinco minutos, inclusive à noite, a menos que a diarréia passe.

2. O soro mais simples é um litro de água fervida com duas colheres rasas, das de sopa, de açúcar e uma pitada de sal. Goles de cinco em cinco minutos.

3. Para o bebê: água de arroz. Cozinhar sete colheres, das de sopa, de arroz em um litro de água levemente salgada. Quando o arroz estiver cozido, dar a água do arroz para o bebê, em intervalos regulares.

4. Boa solução oral é feita com fubá: Em um litro de água colocar uma colher rasa, das de chá, de sal, três colheres, das de sopa, de fubá ou farinha de arroz e deixar ferver por uns cinco ou dez minutos. Administrar goles de cinco em cinco minutos, ou à medida da solicitação do doente. Ajuda a diminuir os vômitos e a diarréia.

5. Há, na farmácia, soluções orais com teores calculados de eletrólitos. Trata-se do SRO (soro de reidratação oral), em cujo rótulo se explica o modo de preparo.

6. Cozinhar um bom punhado de brotos de goiabeira (ou bulbo da raiz de tejuco) em um litro de água. Acrescentar uma pitada de sal. Tomar aos goles, no intervalo da terapia, com frutas ou sucos, como explicado no tópico seguinte.

 

Tratamento com sucos, frutas e outros métodos

O tratamento à base de frutas já salvou muitas vítimas de cólera, impossibilitadas de obter atendimento médico. Tomar de hora em hora um pouco de suco de fruta, como maçã ou laranja. Se isso não é possível, comer a fruta. Tomar também, nos intervalos, um pouco de água com uma pitadinha de sal, para repor a perda de sódio. Melhor ainda é usar, nos intervalos, o soro número 6 (com chá de broto de goiaba) ou o 4 (com fubá), ou qualquer outro.

Comprimidos à base de carvão, tomados juntamente com os líquidos (três ou quatro ao dia), ajudam a controlar a diarréia. Mas não substituem o soro.


Programa Saúde Total

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