Constipação Intestinal

Constipação Intestinal

 Causas

 

A causa principal é a falta de fibra na alimentação. A dieta popular, constituída de café e pão branco com manteiga de manhã, arroz branco, feijão e carne, com sobremesa de gelatina no almoço e jantar (quando muito, um pouco de legume ou salada), é paupérrima em fibra. O refinamento dos alimentos abate a zero o teor fibroso, além de reduzir o valor nutritivo.

Outra causa é a falta de líquido na dieta. Percebemos que a maioria das pes­­­­­soas bebe bem pouca água, o que, além de prejudicar os rins, pode contribuir para um quadro de prisão de ventre.

Carnes, massas refinadas, salgadinhos, fast-food, açúcar, laticínios, café, guloseimas, refrigerantes, biscoitos, doces, gelatina e cereais brancos, que são a base da alimentação de muitas pessoas, contêm muito pouca fibra. Um pouco de frutas e verduras de vez em quando está longe de ser suficiente. Frutas e verduras, juntamente com cereais integrais, devem constituir a base de uma dieta de saúde.

O estresse transtorna o funcionamento intestinal. Vida social agitada, freqüentes congestionamentos de trânsito, viagens e hábitos irregulares são fatores que causam ou agravam a prisão de ventre.

Muitos medicamentos podem provo­car constipação. Entre eles, antiácidos à base de cálcio ou alumínio, suplemen­tos de cálcio, sedativos, antide­pres­sivos tricíclicos, certos analgésicos, diuré­ti­­­cos, anti-histamínicos, os antiparkinso­­­­nianos.

Outra causa a ser avaliada por um médico é a obstrução tumoral ou a dilatação do intestino que ocorre na doença de Chagas (megacólon).

 

Dois tipos de prisão de ventre: atônica e espástica

 

Na maioria das vezes, verifica-se a constipação atônica, em que o intestino funciona lentamente por causa da falta de adequado estímulo à sua musculatura. E o estímulo que falta pode ser a fibra. Mas há constipações em que o intestino se torna o palco de fermentações e distensões dolorosas. Trata-se da constipação espástica, que gera intenso desconforto e inchação. Nesse caso, é preciso ingerir pouco alimento às refeições e mastigar muito bem.

 

Exercícios físicos e constipação

 

Vida sedentária é causa ativa de prisão de ventre. Comer sem fibra e ficar a maior parte do tempo parado é para muitos certeza de preguiça intestinal.

Às vezes, só mudar a dieta não é suficiente. Pode ser necessário adotar um programa regular de exercícios físicos. Conforme o caso, serão prescritos exercícios abdominais, que fortalecem a cintura muscular lombo-abdominal.

Um dos melhores exercícios é caminhar. Pelo menos 1 hora por dia seria muito bom. Às vezes, só caminhar não é suficiente. Pode ser preciso adotar programa de ginástica baseado em exercícios.

Quando ir ao banheiro?

 

Muitos perdem o hábito natural de ir diariamente ao banheiro por conve­niências sociais. Entretanto, pode-se reeducar o intestino para funcionar, por exemplo, após uma refeição. De manhã é um bom horário para estimulá-lo. Mas não se deve forçar. O excessivo esforço à evacuação é causa de hemorróidas. Pode também provocar aumento súbito de pressão e até desmaio.

 

Os laxantes

 

Na maioria das vezes, são totalmente dispensáveis. Acabam acostumando mal o intestino, que deveria funcionar sob estímulos naturais. Entretanto, há laxantes naturais à base de fibras e ervas, menos nocivos, embora jamais devam conduzir à negligência da formação de hábitos sadios. Também não é recomendável acostumar o intestino com os laxantes naturais.

 

Clisteres (ou lavagens intestinais)

 

Só empregar clisteres com permissão médica.

Podem ser muito úteis para ajudar a eliminar a grande quantidade de toxinas e detritos tóxicos acumulados nos intestinos. O uso excessivo de clisteres, porém, é contra-indicado, pois enfraquece a musculatura intestinal e pode afetar sensivelmente a microbiota. Mas o uso racional desse método traz inigualáveis benefícios à saúde, pois auxilia na “limpeza” dos intestinos, que são as grandes “avenidas” da nutrição do corpo, geralmente cheias de “entulhos” e “obstáculos”, resíduos putrefatos acumulados ao longo de anos de funcionamento deficiente (resultado de alimentação de péssima qualidade e falta de exercícios físicos), somado a colônias­ de bilhões de bactérias nocivas à vida. Na fase de transição para uma dieta saudável, a lavagem intestinal ajuda a expelir detritos tóxicos e restaurar a flora.

Como aplicá-la? Recomenda-se tomar, durante uma a três semanas, à noite, meio litro de lavagem com água morna (previamente fervida). Logo em seguida, para total esvaziamento do intestino, mais um clister de um litro de água morna.

Na etapa seguinte, pequenos clisteres de meio litro de água à temperatura ambiente (previamente fervida), de manhã ou à noite, por duas ou três semanas, e sempre que necessário. Se possível, usar, no clister, água imantada. Um pequeno enema de água fria ajuda a estimular o sistema muscular do intestino, que desencadeia forte reação reflexa de peristaltismo. Quando aplicado sempre no mesmo horário (como de manhã), ajuda a criar o hábito regular de evacuação. Não se deve suspender bruscamente o enema, mas reduzir a freqüência e a quantidade pouco a pouco.

 

Exemplo prático de programa de tratamento com clisteres

 

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que, no caso de sangramento ou vestígios de sangue nas fezes (dejetos escuros, como “borra” de café) não se devem aplicar enemas. Observar orientação­ médica.

Os naturopatas recomendam, para efeito de desintoxicação e transição para um programa de alimentação saudável, o seguinte roteiro:

Durante duas semanas, como já explicado, à noite, meio litro de lavagem com água morna (previamente fervida). Logo em seguida, para total esvaziamento do intestino, mais um clister de um litro de água morna.

Durante três semanas, pequenos clis­­­­teres de meio litro de água à tempera­tura ambiente (previamente fervida), de manhã ou à noite. Preferir água imantada.

Numa terceira etapa usar, dia sim, dia não, durante duas semanas, o mesmo enema de meio litro.

Na penúltima semana, aplicar o enema (de meio litro) duas vezes, voltando a utilizá-lo sempre que necessário (quando o intestino “prender” um pouco, ou for necessária uma desin­toxicação).

Todos precisamos de uma desin­toxicação periódica, de modo que seria benéfico repetir todo esse programa pelo menos uma ou duas vezes cada ano.

Entretanto, quem conserva um plano ideal de vida e alimentação, praticando exercícios físicos regulares e mantendo o intestino em funcionamento ideal (o que é raro nos dias de hoje), certamente não precisará de enemas.

Sal amargo

 

Como dizem os leigos, para “desentupir” um intestino congestionado, nada como o sulfato de magnésio, ou “sal amargo”. Usa-se uma colher, das de chá, dissolvida em um copo de água. Mas não se deve apelar freqüentemente para este tipo de laxante.

 

Farelo de trigo

 

Verificamos, em nossa experiência, que o campeão dos laxantes ainda é o farelo de trigo. Constipações costumam ceder com o uso de algumas colheres, das de sopa, de farelo (até duas ou três), juntamente com as refeições, que também devem ser ricas em fibra de vegetais crus. Mas não prolongar por muito tempo seu uso.

 

Laxante matinal

 

Em nossa clínica, vimos usando com bons resultados a seguinte mistura, contra a prisão de ventre causada por ali­­­­­­­­men­­­tação pobre em fibra, tomada em jejum, que pode substituir a primeira refeição:

Seis ameixas secas deixadas de molho durante a noite, em meio copo de água. Descaroçá-las e colocá-las em liquidificador juntamente com a água. Acrescentar meio mamão-papaia, duas colheres, das de sopa, de farelo de trigo e uma colher, das de sopa, de mel. Deixar de molho, também, durante a noite, uma colher de linhaça (semente de linho) em um quarto do copo de água. Misturar tudo e liquidificar.

 

Outros procedimentos

 

Compressas diárias de argila na barriga. Banhos de tronco. Ver página 105.

Uma lavagem intestinal com água filtrada e fervida pode ajudar em casos de congestionamento intenso. Usar pelo menos um litro de água.

 

Advertência

 

Considerando o risco de tumores e outros distúrbios, a constipação intestinal severa deve ser cuidadosamente avaliada por um médico.

Podem ser dias sem ir ao banheiro. Podem ser semanas. Quanto mais tempo, pior.

Embora muitos não levem tão a sério seu “intestino preguiçoso”, trata-se de problema digno da melhor atenção, pois favorece o surgimento de doenças graves, como o câncer intestinal, além de provocar estado crônico de intoxicação orgânica, propiciando assim o desenvolvimento de um sem-número de enfermidades.

Alimentação

Como já ficou claro, mudar o hábito alimentar e mexer-se mais será suficiente para resolver a maior parte dos casos de prisão de ventre.

No que diz respeito à dieta, é preciso beber mais líquido e usar mais fibra: abundância de saladas cruas, um pouco de farelo de trigo junto com a comida, cereais integrais, algumas refeições só de ameixa fresca ou mamão (comer também algumas sementinhas) ou de laranja (comer também o bagaço).

Alimentos brancos, beneficiados e refinados precisam ser abolidos. Evitar massas, pizzas, laticínios, lanches ligeiros, biscoitos, carnes, embutidos, refrigerantes, doces, guloseimas, café, molhos, fast-food etc. Adotar dieta saudável, como indicado nos capítulos 4 e 5.

Casos muito crônicos, e casos de cólon espástico, poderão requerer a limitação de gorduras e óleo da dieta (óleo de adição). Por quê? As gorduras de adição formam, na opinião de alguns estudiosos, uma camada no estômago que dificulta a digestão de proteínas e carboidratos. Há retardamento na digestão e formação de gases. Ocorrem também putrefação e fermentação.

Na constipação espástica, alimentos formadores de gases, como feijão, repolho, couve-flor, molhos, além dos retrocitados, devem ser evitados.

Dieta terapêutica natural

Plantas

No primeiro dia, semijejum de frutas: mamão, uva e ameixa fresca, a cada três horas. É preciso conservar relativo repouso.

Nos três dias sebseqüentes, adotar a seguinte dieta:

Meia hora antes do desjejum, bebida alcalinizante (ver página 138).

Desjejum — Mamão (comer algumas sementes), iogurte natural (meio copo).

Almoço — Abundância de saladas cruas (sugerimos salada de folhosos, salada de broto de feijão com chicória ou salada de triguilho com hortelã). Hortaliças como brócolis, abóbora (sem manteiga ou margarina) e arroz integral bem cozido, sem óleo. Acrescentar um pouco de farelo de trigo. Obs.: Usar o mínimo de óleo e sal.

Jantar — Escolher uma das seguintes frutas: melancia, pêra, laranja, mamão ou melão. Comer a laranja com o bagaço.

Nos intervalos, havendo fome, utilizar frutas. Tomar bastante água.

Adotar, então, dieta normal, saudável, observando os seguintes conselhos:

1ª — Dia sim, dia não, em lugar do desjejum ou jantar, consumir apenas uma qualidade de fruta, como mamão, ameixa fresca, laranja, uva etc. Se for preciso, acrescentar farelo de trigo à comida. Usar abundância de alimentos crus. Ingerir muita água nos intervalos das refeições, mas não às refeições.

2ª — Pelo menos uma vez por quinzena passar só com frutas, a cada três horas, com ênfase para ameixa fresca, mamão, melancia ou uva.

Usar internamente, para “depurar o sangue”, chás de bardana, dente-de-leão e chapéu-de-couro, que se combinam com laxantes naturais, a saber, cáscara-sagrada ou sene. De quatro em quatro dias mudar o chá. Tomar de três a qua­­tro xícaras ao dia. Dosagem usualmente indicada: Uma colher, das de so­­­pa, das ervas misturadas para 300ml de água. Ferver e filtrar. O uso de laxantes, mesmo os naturais, pode ser prejudicial à saúde. Por isso preferir dieta saudável e só os empregar por tempo limitado, com orientação médica.

O sumo de aloe vera (encontrado à venda em casas de produtos naturais) é considerado útil na restauração da microbiota intestinal. Pode-se usar no fim do tratamento. Os fabricantes dão especificações sobre dosagens tradicionais.

A raiz de alcaçuz é antigo remédio, considerado eficaz contra a prisão de ventre. Há registros de que essa planta já era cultivada comercialmente no século XIII. Usa-se o pó da raiz, de sabor agradável, pulverizado em pequena quantidade nos alimentos, de modo semelhante ao orégano. Podem-se mastigar alguns pedacinhos da raiz.

 

Você sabia?

Tamarindo (Tamarindus indica)

É ­indicado para combater prisão de ventre, distúr­bios da digestão etc.

Modo de usar: Contra a prisão de ventre, comer a polpa do fruto (há no mercado laxantes suaves à base de tamarindo). Para distúrbios digestivos, diluir a polpa do fruto (2 colheres, das de sopa, para cada copo de água) e deixar ferver. Tomar 2 a 3 xícaras ao dia, aos goles.


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.