Depressão

Depressão

 Que é depressão? Como aparece?

 

A neurose depressiva se instala quando alguém busca dissipar a angústia de um conflito interno se auto-anulando ou deprimindo-se. Pode encontrar-se associada a sentimento de culpa (“peso de consciência”) ou resultar de acontecimentos traumáticos como morte de ente querido, separação matrimonial, perda de emprego, prejuízos materiais etc.

Neurose não é propriamente doença mental, mas desajuste emocional que ocasiona sofrimento mental, impedindo a pessoa de sentir-se bem consigo mesma e prejudicando o relacionamento com outras pessoas. O principal sintoma de uma neurose é a angústia, que surge como tentativa de resolver conflitos emocionais inconscientes ou relativamente conscientes. Embora possa haver algum comprometimento de raciocínio e conduta, a neurose não ocasiona desintegração da personalidade.

Preocupações em excesso

 

Quando a mente é intensamente freqüentada por preocupações, sempre surge, em maior ou menor grau, tendência a neuroses como a depressão, e diferentes efeitos físicos. A relação entre a mente e o corpo é estreita e sutil. Há muitas doenças produzidas ou agravadas por fatores psíquicos.

Preocupar-se em demasia não trará soluções antecipadas. Só complica. Só faz mal ao corpo e à mente. Contagia até outras pessoas. Encarar com calma os problemas, buscando alternativas sábias, é ingrediente básico, simples, mas indispensável ao sucesso pessoal.

 

Envolvimento emocional com os problemas

 

Não há quem esteja livre de passar por fases difíceis em sua vida. Freqüen­temente somos forçados a encarar situações complicadas, até amea­çadoras. Hoje, especialmente em países do Terceiro Mundo, vivenciamos múltiplas crises. Carestia, má distribuição de renda, desemprego, crimi­nali­dade, a violência, a insegurança e inúmeros outros problemas que se multiplicam impiedosamente, deixam o homem moderno com os nervos em destroços.

Cada um de nós reage de modo diferente diante dessas situações. Alguns são mais sisudos e conseguem driblar a maioria dos problemas sem grandes afetações emocionais. Outros são mais sensíveis e vulneráveis. Aquilo que representa motivo de ansiedade para um, pode não o ser para outro. Mas todos temos um limite a partir do qual a mente é prejudicada, e com ela a saúde toda. Quando a soma de preo­cupações, como as que resultam de problemas familiares, financeiros, profissionais etc., é significativa e constante, ultrapassando determinado limite,­ pode desenvolver-se a depressão.

 

Depressão e egocentrismo

 

Em muitos, a depressão se apro­funda ao se considerarem vítimas, ficando com pena de si mesmos. “Ninguém me compreende. Meu sofrimento é incompreensível” — sentenciam. Melin­dram-se à toa, ofendem-se por qualquer motivo. Passam horas pesando toneladas de problemas, que olham com lente de aumento. Interiorizam-se num labirinto de preocupações. Sentem-se mal, horrivelmente mal, inquietos, ansiosos, e não sabem explicar o porquê. Procuram em vão a resposta. Guiam-se por emoções e sensações que os levam a um oceano de angústia.

Enquanto ficarem centradas em si e nos seus sentimentos, essas pobres vítimas da depressão não conseguirão qualquer progresso. Só deslumbrarão treva.

A solução para suas mazelas é bíblica: amar o próximo. Desprender-se de seu mundo e procurar ajudar alguém. En­quanto pudermos amar, a vida continuará a ter sentido. Seremos felizes na proporção em que fizermos outros felizes.

 

Nunca se entregar

 

Mesmo que as coisas estejam muito “pretas”, você não deve se cansar de dizer, de si para si: “Isso é passageiro. Conseguirei superar mais essa crise. Superarei as que vierem depois, também. O fato de me angustiar não ajudará em nada. Pelo contrário, só tornará as coisas mais difíceis.”

 

Manter-se sempre ativo

 

Muitos se deprimem por estar inativos. Isso pode acontecer com aposentados e inválidos, ou donas de casa. Primeiramente, deve-se procurar ocupação útil: estudar línguas, desenho, música, escrever, pintar, fazer qualquer coisa, caminhar, passear, desviar a mente de si mesmo. Para quem se sente inútil o melhor remédio é procurar ajudar outras pessoas com alguma palavrinha de incentivo. “Você vai conseguir”, “Coragem”, “Isso acontece”, “Calma, que as coisas melhoram” etc. são sentenças mágicas que fazem tanto bem a quem as profere quanto a quem as ouve.

 

Relaxar, descansar

 

Outros se deprimem por excesso de trabalho. Nesse caso, não há melhor saída: dispor-se a investir numa viagem amena e agradável, de férias. Tirar mais tempo para folga e atividades relaxantes, se não forem possíveis férias. Quem trabalha sem parar terá fatalmente de parar um dia, talvez em circunstâncias adversas. Não somos máquina, e mesmo máquinas param... .

 

Como reagimos ao defrontar dificuldades?

 

As dificuldades existem para todos: ricos, pobres, nobres, políticos, empresários, peões, homens, mulheres e crianças.­ A diferença reside na maneira como as pessoas lidam com seus problemas. Se nos envolvemos emocionalmente com eles, fica mais difícil achar soluções. O mais elevado nível mental que um ser humano pode atingir (e isso é bíblico) é o auto-domínio, que lhe permite achar soluções sem se afligir, sem ansiedade.

 

Persistência sim, teimosia não

 

Quando crianças, construímos castelos no ar. Muitas vezes, continuamos a perseguir objetivos impossíveis, teimo­samente. Precisamos tomar cons­ciên­­­­­­­­cia de nosso real alcance, e não viver ansiosos por grandes consecuções. Podemos e devemos ambicionar metas elevadas, mas não é certo querer agarrá-las a qualquer custo. O sacrifício do bem-estar mental transforma qualquer “boa meta” em obsessão doentia.

O melhor meio de ir avante é dar passos seguros e calmos. O risco de resvalar é tanto superior quanto maior for a pressa.

 

Problemas orgânicos afetando a mente

 

Pesquisas comprovam a íntima associação entre processos mentais e físicos. Somam-se evidências cada vez mais claras de que nossas doenças podem em significativa parte ser produzidas por nossa cabeça, e que a saúde do corpo pode também afetar sensivelmente os processos mentais. Trata-se de relação recíproca.

Acreditam os estudiosos do naturis­mo que os grandes transgressores das leis da saúde podem mais facilmente de­senvolver neuroses como a depressão. O uso e o abuso de açúcar seriam uma das causas.

 

Alimentação e depressão

 

Acredita-se que a alimentação pode contribuir para o aparecimento da depressão. Também pode fazer o contrário, ajudando a superá-la. Como? Há excessos e deficiências na dieta que desequilibram o organismo, afetam seus humores e interferem na química cerebral.

Excesso de açúcar, por exemplo, provoca aumento e depois queda na glicemia. Constantes flutuações na glicemia têm efeito notável sobre o humor. Uma das primeiras providências dietéticas, portanto, é substituir o açúcar por frutas e um pouco de mel. Quantidades exageradas de sacarose (açúcar refinado) momentaneamente produzem sensação de “bem-estar”, mas depois geram desconforto.

Excesso de gordura e proteína também congestiona o metabolismo e pode afetar indiretamente o cérebro.

Recomenda-se evitar carnes gordas, frituras, café, alimentos gordurosos, guloseimas, doces, bebidas e lanches ligeiros. Adotar dieta frugal e saudável. Mastigar bem. Comer com prazer coisas saudáveis. Comer pensando no benefício do alimento.

O uso de suplementos vitamínico-minerais é recomendável. Levedura de cerveja, na dose de até quinze comprimidos de 500mg por dia (cinco em cada refeição) pode ser particularmente útil. A geléia real é muito benéfica. Usar de 2 a 4g por dia.*

A L-tirosina, um aminoácido, associada à piridoxina, ou vitamina B6, permite ao cérebro sintetizar noradre­nalina, hormônio que produz bom-humor e motivação. Estudiosos sugerem 1 comprimido, de manhã, em jejum, de 1000mg de L-tirosina. Meia hora depois, 1 comprimido de complexo B. O triptofano também é indicado. Só utilizar sob permissão médica.

 

 

Nada mais parecia interessar-lhe. Jorge, antes jovial e aplicado, vivia apático. Procurava distância das pessoas. Respondia laconicamente. O semblante não escondia estranha tristeza. Sua mudança de comportamento começou a preocupar os colegas. Aparentemente, não havia razão para aquele comportamento. Bem empregado, próspero, casado com mulher simpática e carinhosa, Jorge era admi­rado como exemplo de alguém bem-sucedido.

A depressão, hoje, é tão comum que chega a preocupar. Não escolhe idade, sexo ou condição social. Todos passamos por fases difíceis na vida, e experimentamos angústia. Estar triste não significa, porém, ser triste.

Os estudos médicos sobre esse assunto mostram que é possível reverter um quadro de depressão, mesmo o mais difícil. Aqui abordaremos o que de mais auxiliador vem sendo experimentado no tratamento desse distúrbio psíquico.

Sintomas de depressão

 

Esses sinais devem alertar para a possibilidade de depressão:

Sensação constante de angústia. Tristeza que não passa.

Sentimento de culpa.

Sentimento de inutilidade.

Sentimento de que todos o desprezam.

Fazer tudo muito difícil. Pessimismo.

Perda de interesse por tudo, inclusive por coisas de que antes gostava.

Sensação de cansaço permanente.

Insônia ou muito sono.

Perda de apetite ou excesso de apetite.

Apoio em falsas muletas, como cigarro, bebida ou drogas.

Inquietação, ansiedade ou irritabilidade.

Confusão mental.

Dificuldade para solucionar problemas que antes eram simples.

Dificuldade para decidir.

Perda de memória.

Dificuldade de concentrar-se em alguma tarefa.

Pensamentos de suicídio ou tentativa de suicídio.

Este último sinal é, sem dúvida, o mais grave e pode configurar depressão intensa, mal tratada. Não se deve, portanto, brincar com esse distúrbio. Procurar um médico.

“Cura de limão”

Plantas

* Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

Alecrim — Usado contra as dores de cabeça de origem nervosa, também é útil na depressão. Tomar o infuso das folhas e flores, duas a três xícaras ao dia. A propósito, numa publicação de 1550 (antiga como a colonização das Américas!), o Lytel Herball, lemos o seguinte a respeito dessa erva: “Coloque as flores num pano de linho, fervendo-as em água limpa; deixe esfriar e beba, pois ela é excelente contra todos os males do organismo.”

Catuaba — Age como tônico e afrodisíaco. Não usar em excesso. Não recomendado para pessoas “elétricas”, mas para as desanimadas e deprimidas. Uma xícara ao dia, pela manhã. Uma colher, das de chá, da planta para uma xícara de água. Ferver e filtrar.

Ginseng — Age como estimulante do sistema nervoso. A dosagem tradicional vem impressa no rótulo.

Alfafa — Uma colher, das de sopa, da planta seca para duas xícaras de água. Ferver e filtrar. Duas xícaras ao dia.

Em caso de sonolência, indicam-se estimulantes, alguns dos quais já mencionados, como catuaba, alfavaca, cravo, bardana, angélica e hortelã. Havendo insônia, indicam-se fitoterápicos calmantes como casca de maçã, alfazema, camomila, erva-cidreira-verdadeira e mulungu. Os calmantes devem ser usados em dose pequena. Não mais que uma colher, das de chá, da mistura de plantas para cada xícara de água, por infusão (derramar água fervente sobre as plantas). Tomar uma ou duas xícaras por dia, aos goles. Um programa aplicável pode ser o seguinte: no período da manhã, tomar duas vezes a mistura de duas plantas estimulantes, e no período da tarde, a mistura de duas plantas calmantes. A cada dez dias trocar as plantas.

Fómulas herbáticas contra a depressão*

* As plantas aqui citadas são empregadas por clínicas naturistas ou medicinas tradicionais, e as doses são também tradicionais. Lembrete: Não suprimir a orientação médica.

 

Segundo indicação de herboristas, as seguintes plantas, juntas, estimulam o funcionamento do cérebro e melhoram a capacidade de concentração:

Alecrim — Folhas, três partes.

Gengibre — Uma parte.

Botão-de-ouro (hidraste) — Raiz em pó, uma parte.

Pimenta-de-caiena — Pó, uma parte.

Salva — Folhas, três partes.

Como preparar: Totalizam-se nove partes. Cada parte corresponde a meia colher, das de chá, para 250ml de água fervente, que deve ser derramada sobre as ervas. Tomar ao longo do dia, divididos em três pequenas doses.

Outro famoso tônico cerebral é indicado por herboristas para acalmar a mente e promover a harmonia mental. A dosagem tradicional é a seguinte:

Alecrim — Folhas, quatro partes.

Botão-de-ouro (hidraste) — Raiz em pó, uma parte.

Coifa (Scutellaria lateriflora) — Pó, três partes.

Salva — Folhas, duas partes.

Valeriana — Raiz em pó, uma parte.

Como preparar: Totalizam-se onze partes. Cada parte corresponde a meia colher, das de chá, para 250ml de água fervente, que deve ser derramada sobre as ervas. Tomar ao longo do dia, divididos em três pequenas doses.

 

 


Programa Saúde Total

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