Diabete Melito

Diabete Melito

 Que é diabetes melito?

 

É um distúrbio no metabolismo dos carboidratos (açúcares), causado por problemas na produção ou na recepção celular de um hormô­nio pancreático, a insulina, que pode diminuir, e nos casos mais graves, faltar no sangue. Como é a insulina que controla a glicose circulante, sua falta faz com que o teor de glicose no sangue suba. No diabetes tipo I (juvenil), a falência da parte endócrina do pâncreas, responsável pela fabricação de insulina, torna necessário o uso diário de injeções desse hormônio. No diabetes tipo II (adulto), geralmente se dispensa a insulina injetável, mas é comum a prescrição de hipoglice­miantes.

É importante evitar que o açúcar suba exageradamente no sangue, pois as conseqüências de um diabetes descom­pensado podem ser muito graves. A médio e longo prazos ocorrem danos aos vasos, surgindo vários problemas circulatórios. O diabetes favorece a aterosclerose, e podem ocorrer danos na retina (retinopatia diabética) com resultante cegueira. Também podem ocorrer feridas de difícil cicatrização, especialmente nas pernas e pés, onde o retorno sangüíneo é mais difícil.

 

Sinais e sintomas do diabetes tipo I, ou juvenil

 

Um dos primeiros indícios de diabetes juvenil (ou tipo I), que ataca cedo, é o enfraquecimento global do corpo e o emagrecimento. A falta de insu­lina impossibilita o uso adequado de carboi­dratos. O corpo tem, então, de queimar suas reservas de gordura e acaba destruindo até suas próprias proteínas, na tentativa desesperada de obter energia. Como resultado, aumentam no sangue substâncias residuais perigosas, como os corpos cetônicos, que ocasionam ceto-acidose. A acidose do diabetes, se não for logo corrigida, pode precipitar o coma e mesmo a morte.

O sintoma mais característico é o aumento do volume de urina (poliúria), que pode atingir os cinco litros diários. Trata-se de uma tentativa do corpo de eliminar o excesso de glicose circulante. A urina, portanto, é doce. Quando as formiguinhas se acercam do vaso sanitário, pode ser sinal de que alguém está com glicosúria, ou açúcar na urina.

Para compensar tamanha perda urinária, vem sede insuportável (poli­dipsia). O diabético do tipo I está sempre pedindo água, mesmo no frio.

Juntamente com a sede vem a fome acompanhada de intensa sensação de fraqueza, já que o corpo não aproveita o açúcar. Podem ocorrer suores frios e dor de cabeça, por causa da falta de glicose nas células e eventuais episódios­ de hipoglicemia. Ironicamente, o diabé­tico tem vontade de comer justo o que não pode: doces e massas. Apesar de comer exageradamente, contudo, o emagrecimento continua.

 

Sinais e sintomas do diabetes tipo II, ou adulto

 

No diabetes (tipo II), o pâncreas ainda produz insulina, mas há resistência periférica a este hormônio, geralmente associada à obesidade. Um dos primeiros sinais de alerta pode ser o cansaço fácil. Ocorre também aumento do volume de urina e sede, mas não nas proporções do diabetes I.

Um dos sinais de distinção entre os dois tipos de diabetes é que neste, geral­mente, não há emagrecimento. O diabético II é tipicamente gordo. Aliás, a obesidade é um dos fatores que favorecem seu aparecimento.

Em episódios de hipoglicemia (queda da glicose no sangue), o diabético sente muita fraqueza, fome súbita, dor de cabeça e suores frios.

Quando há feridas que custam muito para cicatrizar, é preciso verificar a possibilidade de diabetes melito. Há pacientes que apresentam tendência à furunculose e coceira na pele, principalmente na região genital. Os furúnculos aparecem como pequenas tumorações de cor amarelo-reluzente (xantomas), e acometem mais freqüen­te­mente os joelhos, os cotovelos, os antebraços, as mãos, as nádegas, os pés e até a língua.

Com o passar do tempo, podem surgir alterações na pele, coloração amarelo-alaranjada (xantocromia) nas palmas das mãos, plantas dos pés e ao redor da boca.

Casos na família também servem de aviso para a possibilidade aumentada de diabetes melito, pois pode haver propensão genética.

O principal indício de diabetes é a hiperglicemia, ou o aumento exagerado­ da glicose no sangue. Sem esta cons­ta­­­­­­tação, não se pode estabelecer com certeza o diagnóstico, já que os outros sintomas são comuns a diferentes doenças. A taxa normal de glicose no sangue oscila entre 80 e 120mg por 100cm3 de sangue em jejum.

Às vezes acontece, apesar das evidências clínicas (presença de vários sintomas), que um primeiro exame não revela alterações significativas. Contudo, não se deve concluir pela ausência de diabetes melito com base numa só dosa­gem. Pode ser necessário dosar várias amostras de sangue e urina, ou proceder à curva glicêmica.

A presença de glicose na urina é outro elemento importante para o diagnóstico, já que em condições normais os rins a reabsorvem completamente. A urina normal não contém glicose.

O diabetes renal, que nada tem a ver com o diabetes melito, é um defeito no funcionamento do rim: esse órgão deixa de reaproveitar a glicose, expelindo-a fora na urina. É preciso atenção para não confundir os sintomas. No diabetes melito há múltiplas alterações, como vimos. No diabetes renal, o único sinal é a glicosúria.

 

Complicações

 

As complicações mais graves, que se desenvolvem com o tempo, são as do sistema circulatório devido a um fenômeno chamado glicação. O diabetes acelera o processo de degeneração dos vasos, a arteriosclerose, e propicia alterações vasculares em diversas partes do corpo, como rins e retina. A arte­riosclerose abre o caminho para a hipertensão arterial, acidentes vascu­lares, insuficiência renal e catarata.

Diabetes melito e infecções urinárias

 

Os rins de diabéticos estão sujeitos a graves lesões vasculares e glome­rulares. Isso parece favorecer a ocorrência de infecções como a pielonefrite. A presença de açúcar na urina (glico­súria) é irritante para o trato urinário feminino, predispondo à infecção de bexiga.

As infecções urinárias em diabéticos agravam o distúrbio metabólico verificado nessa doença, e podem levar a uma acidose diabética.

A ocorrência de infecção urinária em diabéticos merece cuidados adicionais, pois os riscos são muito maiores que para um paciente renal não-diabético. A papilite necrosante, doença renal fulminante, é mais comum em diabéticos, e pode resultar de uma infecção.

Outros procedimentos

 

Os exercícios físicos são muito recomendáveis para ajudar a estabilizar a glicose no sangue. Siga orientação médica. Caminhar, regularmente, todos os dias, é muito saudável. Vá aumentando aos poucos o percurso até poder caminhar vários quilômetros por dia.

 

Os gregos da Antigüidade diziam que, no diabetes, “a robustez do corpo se dissolve na urina”.

Do século XIX para trás, os pacientes de diabetes melito tipo I eram, por assim dizer, “sentenciados à morte”. Os médicos os “entregavam à Natureza”. A incidência não era alta como hoje, mas os sofredores desse mal, particularmente do diabetes juvenil, não encontravam, na Medicina da época, qualquer recurso.

Foi Banting, em 1922, que descobriu como utilizar a insulina para prolongar a vida de diabéticos, até então sem esperança.

A Medicina natural interpreta esse distúrbio como resultado de longo afastamento do modo ideal de vida. Correções no estilo de vida resultarão em melhores perspectivas tanto para os candidatos como para os doentes de diabetes melito.

 

 

Como deve ser a alimentação?

Programa natural de alimentação

Os conselhos tradicionais são bem conhecidos dos diabéticos: não usar açúcar, massas, guloseimas, caldo-de-cana, rapadura, melado, chocolate, doces, refrigerantes etc. Há os que pergun­­­­­­tam se o mel é permitido. A resposta é não, porque o mel é rico em carboidratos simples. Entretanto, se o diabetes é dis­creto e está controlado, podem ser usadas pequenas porções de frutas doces e mesmo o mel, mas as quantidades devem ser calculadas por um nutricionista, para cada paciente. Verduras, iogurte natural não-adoçado e cereais integrais são permitidos.

Há novidades interessantes para os diabéticos. Aliás, não se trata propriamente de novidades, pois são métodos antigos, mas que só recentemente foram testados e aprovados por estudiosos da nutrição e adotados como dieta “rica em fibra e carboidratos complexos”. Em vez de um regime gorduroso e hiperprotéico, o diabético deve usar muita fibra proveniente de cereais integrais, verduras e algumas frutas e raízes. Maçã ácida e semi-ácida, limão, cereais integrais, cebola e cenoura estão entre os principais componentes da dieta naturista anti­diabética. Exemplo de cardápio:

Uma hora antes do desjejum (ou em lugar dele), um copo de bebida alcalinizante (ver como preparar à página 138). Quem não tolerar, tomar água com limão.

Desjejum — Maçã picada com sementes de girassol, coalhada magra e torradas de pão integral.

Intervalo — Havendo fome, maçã verde.

Almoço — Saladas cruas à vontade. Legumes à vontade, com exceção da mandioca, batata e inhame, cujo uso deve ser calculado. O brócolis é muito benéfico ao diabético. O feijão e outras leguminosas devem ser usados em quantidade pequena, calculada. Esporadicamente, pode-se usar um ovo caipira bem cozido. O tofu é permitido. Azeitonas e azeite de oliva virgem também são permitidos em quantidades calculadas.

Intervalo — Havendo fome, maçã verde.

Jantar — Semelhante ao desjejum. Podem-se consumir frutas picadas como mamão (em pequena quantidade) com maçã, e sementes de girassol com nozes, se não houver contra-indicação. Recomendam-se refeições exclusivas de maçã ácida ou semi-ácida: substituir o desjejum ou o jantar por maçãs algumas vezes por semana.

Recomenda-se o uso freqüente de água com limão, não adoçada.

Observar prescrição profissional. Em muitos casos, é necessário calcular a dieta em função de fatores individuais. O uso de hipoglicemiantes juntamente com dieta como essa, poderá levar a queda acentuada da glicemia, razão por que é importante obter orientação especializada.

Pacientes obesos devem adotar dieta de emagrecimento cuidadosamente controlada, pois o excesso de peso complica o diabetes, além de favorecer seu aparecimento.

Plantas

Carqueja, pata-de-vaca e quebra-pedra. Usar uma planta a cada três dias (decocto), de duas a três xícaras ao dia. Em jejum pode-se tomar cavalinha com pata-de-vaca e umas quinze gotas de própolis a 30%. Dosagem usualmente indicada: Duas colheres, das de sopa, das plantas picadas para meio litro de água. Ferver e filtrar.

O polvilho de lobeira, planta comum em Minas Gerais, vem sendo usado como poderoso auxiliar no tratamento do diabetes melito: geralmente se indica um comprimido de 300mg após cada refeição.

Outra planta muito indicada é o gimnema. Utiliza-se na forma de cápsulas. A dosagem tradicional vem orientada no rótulo, pelo fabricante.

Utiliza-se ainda o “pau-tenente”, casca muito amarga, na dosagem tradicional de uma colher, das de sopa, para meio litro de água. Ferver e filtrar. Tomar ao longo do dia, aos goles.

A batata yacon ajuda a reduzir a glicemia: raspa-se uma colher, das de sopa, do tubérculo, que se come, cru, em jejum. Deve-se ter cuidado para que a glicemia não sofra queda muito acentuada. Se a glicose no sangue estiver baixa, não usar a batata yacon.

Advertência: Observar orientação médica e controlar a glicemia. O uso simultâneo de medicamentos e plantas pode ser desaconselhável, tendo em vista o risco de queda acentuada da glicemia.

 

Você sabia?*

Pata-de-vaca (Bauhi­nia fortificata)

É tradicionalmente indicada para combater diabetes.

Modo de usar: Chá das folhas em infusão. De 2 a 3 xícaras ao dia. Utiliza-se a espécie de flor branca.

* As plantas medicinais no diabetes podem ser muito úteis no controle da glicemia. Mas se sua glicemia está descontrolada ou você está em uso de hipoglicemiantes ou insulina, não deixe de conversar com seu médico.

 


Programa Saúde Total

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