Distimia

Distimia

 Características da distimia

 

Todos atravessamos crises, que produzem, invariavelmente, mal-estares mentais, que vão da inquietação à tristeza. Trata-se de reação normal, que a maioria das pessoas supera com o tempo. Mas permanecer sempre triste ou azedo não é apenas característica de personalidade. Pode constituir uma doença, só recentemente reconhecida pelos estudiosos e pela Organização Mundial de Saúde. É a distimia.

Calcula-se que cerca de três em cada cem pessoas sofrem de distimia, e que dessas três, duas são mulheres. Pode atingir até crianças. Trata-se de doença em que o paciente está sempre de mal com a vida. Pode apresentar alguns ou todos os sintomas de Dona Clotilde, a personagem da ilustração. Suas principais características são:

1. Desinteresse — O doente não se entusiasma com nada. Faz as coisas mecanicamente, como mero cumprimento de obrigações. Não demonstra interesse em coisa nenhuma. Por isso, não consegue persistir em tarefas que exijam algum desprendimento. É comum abandonar trabalhos pela metade, por não ter ânimo para terminar, ou por de­frontar algum obstáculo, que sempre considerará enorme, intransponível.

2. Pessimismo e negativismo — É inimigo de tentativas, pois sempre acha que “podem dar errado”. Exagera as dificul­da­des. As pessoas passam a evitá-lo, já que é especialista em desanimar. Em tudo vê motivo para ficar triste. Só enxerga contrariedades. Todos o rotulam de “chato” e “negativo”. Os distí­micos consideram-se “deserdados pela sorte”.

3. Autopunição — Se alguma coisa dá errado (e isso pode acontecer com as pessoas mais bem-sucedidas), não consegue dar a volta por cima e se culpa pelo mau êxito. O sentimento de culpa é forte a ponto de ele se auto­punir, por exemplo, com o isolamento das pessoas e descuido com a aparência. Considera-se mártir, ou predestinado ao sofrimento.

4. Dificuldade de concentração — O distímico às vezes não consegue concentrar-se em coisa nenhuma. Quando alguém fala, não presta atenção. Quando lê, não se prende ao assunto. Ao assistir a um filme, perde facilmente o “fio da meada”.

5. Hipocondria — Alguns desenvolvem verdadeira “mania de doença”, transferindo para o corpo o sofrimento mental.

6. Egocentrismo — Não todos, mas alguns pacientes se tornam egocên­tricos, não demonstrando qualquer interesse nas outras pessoas. Enxergam apenas o seu sofrimento, o seu problema. Consideram-se os mais infelizes do mundo, e às vezes os mais injustiçados.

7. Distúrbios do sono e do apetite — Alguns distímicos dormem demais, outros perdem o sono. Alguns comem demais, outros perdem o apetite.

8. Uso de álcool e drogas — Para fugir à dura realidade, o paciente às vezes recorre ao álcool, às drogas legais e até às ilegais. A toxicomania e o alcoolismo podem ser causados ou precipitados pela distimia.

9. Desinteresse sexual — Perde-se boa parte da libido, e isso pode ser uma das causas de separação conjugal.

10. Obsessão pela morte — Esta é a pior fase. Alguns pacientes, completamente entregues aos seus pensamentos sombrios, perdem todo o interesse pela vida. Preferem a morte. Encaram-na como única saída. Há risco de suicídio, e muitos chegam a consumá-lo.

 

Complicações

 

A falta de ânimo gera baixa resistência orgânica e maior possibilidade de contrair qualquer doença. Pesquisas mostram que o câncer, as doenças imunitárias e os distúrbios cardio­vasculares desenvolvem-se mais facilmente em pacientes distímicos. Até a gripe surge com considerável freqüência.

 

Causas

 

Ainda não se conhecem bem as causas, mas todos concordam em que a soma e a multiplicação de certos fatores hereditários, biológicos, psíquicos e sociais contribuem para o aparecimento dessa anomalia. Entre as causas biológicas destacam-se certos desequi­líbrios de neurotransmissores, substâncias envolvidas no funcionamento do cérebro. Ocorreriam alterações sutis no sistema límbico, sede das emoções, localizado mais ou menos no centro do encéfalo. Os receptores para os neuro­transmissores noradrenalina e seroto­nina exibiriam hipersensibilidade tal, que pequenas quantidades daquelas substâncias seriam suficientes para estimular e desregular o sistema. Pode­ria ocor­rer o contrário: receptores com baixa capacidade de captação, o que também resultaria em descompasso entre a­ produção de neurotransmissores e a reação do sistema límbico.

As causas psíquicas, entretanto, são mais óbvias. Sentimento de rejeição, abuso sexual e traumas profundos, especialmente na infância, predispõem à distimia. Filhos criados em lares infernizados pelo alcoolismo, ou destroçados pelo divórcio, poderão, se não conseguirem superar esses traumas, ou se forem vítimas de novas tragédias, abismar-se na distimia.

Supõe-se haver uma causa hereditária. Pode parecer até irônico inferir que casos de mal-humorados crônicos na família possam significar possibilidade aumentada de a doença se manifestar. Mas é o que supõem os pesquisadores. Se não por via genética, o mau humor se disseminaria por assimilação passiva de traços de personalidade.

 

Opinião dos estudiosos da vida natural

 

Os transtornos emocionais podem trazer conseqüências físicas, que por seu turno, agravam o problema mental. Úlcera gastroduodenal de fundo nervoso, colite nervosa, diabetes melito e disfunções imunitárias, como o lúpus eritematoso sistêmico e a psoríase, são exemplos de doenças muito fortemente ligadas à mente. Pesquisas recentes mos­tram que praticamente todas as doenças podem ser agravadas ou defla­gradas pela atitude mental. Até câncer pode surgir mais facilmente em pessoas muito abaladas pelas tensões. Sabe-se que os fatores de agressão mental diminuem a resistência do organismo e nos expõem aos processos orgânicos que resultam em doenças.

Os naturistas crêem, entretanto, que as desordens emocionais estão muito intimamente relacionadas ao estilo de vida, e de modo muito particular, ao tipo de alimentação. Excesso de laticínios, açúcar e/ou carnes, somado à deficiência de fibras, certas vitaminas e minerais, constituiria causa importante de desequilíbrios metabólicos que acabariam afetando sutilmente a perfor­mance cerebral. Por isso, receitam desin­toxicação, complementação nutri­cional, exercícios físicos e psicoterapia. O tratamento de distúrbios intestinais, como prisão de ventre e outros problemas orgânicos intercorrentes, é vital ao êxito.

 

A psicoterapia

 

Nosso mundo é controlado por seres que se orgulham de sua inteligência. Mas não é preciso aprofundar-se em pesquisas para concluir que o homem é, em muitos aspectos, desequilibrado. Exibe quociente emocional muitas vezes sofrível.

A mente humana é o palco em que primeiramente se desdobram as grandes tragédias sociais. Não é à toa que a Bíblia fala com tanta veemência sobre a necessidade de se cultivar cuidadosamente o terreno mental.

A cabeça de alguns pode ser definida como uma efervescência de emoções, sentimentos e premonições, na maioria das vezes maus e deprimentes. Outros oscilam entre a euforia e a melancolia. Atingir o elevado grau da serenidade de espírito, em que os problemas são encarados e abordados de “cabeça fresca”, e a alegria é atingida por meios simples, a exemplo da criança, é algo mais que humano — é divino. Só com o auxílio de um poder a nós superior poderemos proclamar paz no turbulento mundo de nossa mente.

O distímico precisa, mais do que qualquer outro, reencontrar a paz interior e readquirir o entusiasmo da vida. Certa vez, um poeta disse que a vida continua a ter sentido enquanto formos capazes de amar. Isso condiz com a filosofia bíblica. Na verdade, a vida só tem sentido quando somos capazes de amar, quando vivemos para tornar outros felizes. O mundo aplaude os que dedicam vultosas somas de dinheiro em obras de caridade pública. Mas o segredo da felicidade reside mais em pequenos atos de bondade do que em grandes realizações. Sorrisos despretensiosos, palavras de conforto e animação, um caloroso aperto de mão, um tom de voz amigável, são coisas que não custam nada e, mais do que fazer bem aos que recebem, fazem bem aos que dão!

O distímico precisa, entre outras coisas, rever seus princípios de vida para sair de sua improdutiva “bolha” de tristeza. Se você se sente afetado, faça tudo que estiver ao seu alcance para mudar, passar de uma pessoa chata e negativa para outra agradável e positiva. Deve buscar a Deus com fervor para que lhe dê a cura.

Preocupações e angústias nada resolvem. Só complicam as coisas. É preciso repetir isso várias vezes ao longo do dia. Que se encare a vida com otimismo e bom ânimo, porque do modo como encaramos a vida depende o sucesso ou o fracasso. Se nos desanimamos facilmente e reclamamos por qualquer motivo, atraímos o mal. Mas se nos conservamos animados e procuramos enfrentar cada percalço com espírito forte, confiante, sereno, certamente atrairemos bons resultados.

Para maiores informações, ver também depressão.

Dona Clotilde se acha muito infeliz. Desquitada há anos, mora sozinha, e dificilmente alguém a visita. Vive reclamando da vida e não demonstra interesse por nada. Só vê o lado negativo das pessoas, das coisas e das circunstâncias. Sempre de mau humor, talvez por isso não tenha amigos. Queixa-se de insônia, cansaço e falta de apetite. Ultimamente, vem definhando e envelhecendo com rapidez. Piorou a ponto de só falar em morrer. Os parentes começaram a preocupar-se com a possibilidade de Dona Clotilde tentar o suicídio. Levaram-na ao médico, que, procedendo a exames psiquiá­tricos, concluiu: “Tudo indica que ela sofre de um mal chamado ‘distimia’, recentemente definido, mas ainda em fase de estudo, possivelmente causado por distúrbios psíquicos e hormonais...”

 

Tratamento

 

Dieta natural

Os estudiosos do assunto acreditam ser possível tratar e mesmo curar a distimia. A boa psicoterapia é a mola-mestra do êxito, e se deve somar a tratamentos que aumentem a vitalidade geral do corpo. Deve-se consultar também um psiquiatra.

Os estudiosos da vida natural acreditam que o baixo nível de endorfina, hormônio que mantém o bem-estar mental, seria uma das causas da distimia. Exercícios respiratórios e esforços físicos moderados, como caminhadas regulares, progressivamente mais longas, ajudam muito a normalizar os teores de endorfina no sangue.

A alimentação também pode ajudar. A dieta deve ser natural, adequadamente nutritiva, sem fatores de agressão, como o excesso de açúcar, sal, gordura e laticínios. “Tranqueiras”, como guloseimas, refrigerantes, fast-food etc., embora representem para certas pessoas desanimadas uma “fuga” ou um dos poucos “prazeres”, no fim estragam a saúde; fazem mais mal do que bem. Podem-se usar preparações naturais saborosas e saudáveis, que se mostrarão vantajosas. O tratamento nutricional requer uma fase de desintoxicação seguida de outra fase, a de reforço nutricional.

 

Não se deve impor ao paciente um sacrifício dietético exagerado, mas mostrar-lhe que o abandono de maus hábitos alimentares o ajudará a superar sua angústia mental. A desintoxicação deve ser, se possível, branda, e intercalada por períodos de dieta naturista normal, de que constem pratos saudáveis, apreciados pelo paciente. Exemplo de programa de desin­toxi­cação:

Primeira dieta: Por três ou quatro dias pode-se fazer um regime como o seguinte:

Uma hora antes do desjejum, ministrar ao paciente (se ele aceitar) um copo de bebida alcalinizante. 

Desjejum e jantar: Só frutas, em quantidade livre, como melão, laranja, uva, abacaxi etc. Servir as frutas prediletas do paciente. Pode-se, entretanto, fazer uma “salada” com duas ou três variedades coloridas, que se combinem. Por exemplo: morango, maçã e abacaxi, ou mamão, banana e maçã, ou uva, pêssego e pêra. Nos intervalos das refeições, se houver fome, mais frutas, ou água-de-coco.

Almoço: Saladas cruas e legumes cozidos em arranjos coloridos. Arroz integral, tofu, lentilha, um assado natural e ovo biológico cozido.

Segunda dieta: Após esses primeiros quatro dias, passar mais quatro dias substituindo uma refeição (pode ser o desjejum) por frutas. As outras refeições podem seguir os padrões naturistas normais (ver capítulos 4 e 5, que explicam como fazer uma alimentação saudável).

 

 

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.