Sarampo

Sarampo

 * O diagnóstico deve ser feito por um médico. Havendo suspeita, avise o serviço de saúde mais próximo, e siga suas instruções. É importante a prevenção vacinal, cujos resultados se vêem na erradicação dessa doença em muitos lugares.

 

Que é sarampo? Como se manifesta?*

 

Sarampo é uma virose contagiosa eruptiva, mais comum na infância. Depois que alguém “pegou” o sarampo, passam-se dez dias silenciosos (primeira fase), em que o vírus se multiplica, até que venham os primeiros sintomas, que os médicos chamam de “fase catarral” (segunda fase), semelhante à gripe (é muito difícil distinguir, então, a gripe do sarampo, razão por que mesmo os médicos se podem enganar). O risco de contágio é grande nessa fase. Há febre, indisposição, inapetência, lacri­me­jamento, tosse, espirros. Nessa fase, entre 50 e 80% dos casos, surge um sinal característico que ajuda no diagnóstico: as manchas de Koplik. São pequenos pontinhos brancos rodeados por um anel vermelho, localizados dentro da boca, nas bochechas, na altura dos molares. Dá para se notar bem inspecionando-se com uma lanterninha a boca aberta.

A terceira fase, ou eruptiva, caracteriza-se pelas pintinhas avermelhadas, características, que se espalham pelo corpo. São como as pintinhas produzidas por caneta hidrocor rosa sobre a pele. Entre as manchas, há áreas de tecido sadio. No caso da escarlatina, as manchas são contínuas. Muito freqüen­te­mente, as manchas começam atrás das orelhas, e daí passam à face. No começo, são manchas claras e isola­das, que aos poucos se tornam vermelhas e disseminadas. Elevam-se sobre a pele, formando pápulas. Depois de 24 horas, o corpo já está quase todo “pintado”. A erupção desce para o tronco, e daí para os membros. Os sintomas de gripe diminuem, remanescendo, por um pouco, a febre e a tosse. Podem ocorrer sintomas digestivos. Quando a febre dura mais que cinco dias, é possível que haja alguma complicação.

Se tudo correr bem, a febre diminui, e as erupções vão-se atenuando. Soltam-se da pele pequenas escamas, como caspa, principalmente na altura do pescoço e do rosto.

 

Complicações

 

Muitos não sabem, mas o sarampo é uma das principais causas de morte infantil. Torna-se particularmente perigoso quando ataca crianças com menos de dois anos, já debilitadas por outras causas, como má nutrição.

O vírus do sarampo pode atingir o sistema nervoso central, provocando, entre outras coisas, a encefalite por sarampo, infecção grave. Entre as seqüelas, pode produzir distúrbios motores e sensoriais, e retardo mental.

A broncopneumonia é outra complicação preocupante, que deve ser tratada em hospital. Devido à falta de oxigenação, a pele fica arroxeada, escondendo as manchas do sarampo. É o que o povo chama de “sarampo recolhido”, que pode levar à morte.

A irritação dos olhos, provocada pelo vírus, abre caminho para invasões bacterianas, que produzem blefarite e, depois, otite média. Há dor de ouvido, e a febre aumenta. Em infecções mais sérias, o ouvido chega a verter pus. Outras doenças, como laringite, abscessos de pele e furúnculos, podem sobrepor-se ao sarampo.

 

Como se “pega” o sarampo?

 

Através de gotículas de saliva e secreções. Se alguém tem a doença (mesmo ainda não manifesta), a simples convivência pode transmiti-la (através da tosse, dos espirros, da conversação). Por isso, é comum aparecer na forma de pequenas epidemias. Por exemplo, se na escola uma criança contrai a doença, não demora para que várias crianças fiquem com sarampo.

Quem pegou essa virose uma vez está imunizado para sempre.

Os naturopatas enfatizam, porém, a verdade de que o terreno é tudo. Organismos mais suscetíveis e imunita­ria­mente fracos estão mais sujeitos. Crianças mal nutridas exibem complicações mais facilmente.

 

Como tratar o sarampo?

 

Tratando-se de virose, os antibióticos não resolvem, sendo contra-indicados. Manter o doente em situação confortável, em repouso. Conservar o quarto arejado, mas sem corrente de ar. Não se recomenda muita luz, devido à irritação dos olhos. O objetivo principal do tratamento é, tanto quanto possível, ajudar o organismo a recobrar o equilíbrio, não permitindo que a resistência decline ainda mais.

Embora a criança sinta-se fraca, é um erro obrigá-la a comer “alimentos fortes”. Isso aumentará a sobrecarga metabólica e elevará a febre. Deve-se, durante a febre, administrar abundância de líquidos (como água-de-coco e sucos de frutas e vegetais). Recomendam-se sucos de frutas sem açúcar e sucos de hortaliças (como cenoura com salsão). O açúcar diminui a resistência do organismo. Nos períodos em que não há febre, administre-se dieta leve, à base de frutas, legumes, papas (se for preciso adoçar, usar apenas um pouco de mel), sucos etc. Evitem-se, na fase aguda, laticínios demais,­ massas refinadas, frituras e doces, que aumentam a secreção catarral. Use-se apenas um pouco de coalhada, na convalescença.

Se o intestino está preso, recomenda-se enema, que só deve ser aplicado com permissão médica. Não permitir que a criança use guloseimas, balas, chicletes, fast-food, frituras, carnes ou qualquer alimento que, por aumentar a sobrecarga digestiva, dificulte a autocura ou favoreça o aparecimento de complicações.

Para desobstruir as narinas, usam-se medicamentos à base de soro fisiológico (água levemente salgada). Para diminuir a irritação dos olhos, lavá-los com água boricada, ou usar colírio indicado pelo médico.

Observar sempre orientação médica.

 Os olhos de Marquinhos lacrimejam, e o sol incomoda. Ele se recusa a brincar com os colegas. Queixa-se de cansaço, sonolência, e não quer comer. Sua mãe estranha. Põe a mão na testa: febre. Gripe, na certa. Aparece tosse incômoda, seca, acompanhada de espirros. No dia seguinte, os mesmos sintomas. Quatro dias depois, o quadro se define: aparecem as manchas vermelhas na face e no peito. É sarampo.

 

Plantas e remédios tradicionais

Tendo em vista a seriedade desta doença e sua contagiosidade, seguir rigorosamente as instruções do serviço de saúde.

As flores de sabugueiro são o tratamento fitoterápico tradicionalmente eleito para ajudar a combater a febre e fazer “sair” a erupção, pois estimulam a transpiração. Deve-se, contudo, colher as flores por volta do meio-dia, quando os componentes ativos estão mais concentrados. Preparar o infuso com as flores do sabugueiro (derramar meio litro de água fervente sobre uma colher e meia de flores e deixar esfriar), e tomar várias vezes ao dia. Pode-se usar a borragem em lugar do sabugueiro, se este não estiver disponível.

Para aliviar a tosse, ver sugestões em tosse. Entre os fitoterápicos recomendados contra a tosse, pode-se preparar chá com malva, assa-peixe, guaco, limão e mel. Administrar às colheradas. Para cada xícara de água, usar uma folha de guaco macerada, uma colher, das de chá, de assa-peixe misturado com malva (metade de malva e metade de assa-peixe, finamente picados, em uma colher, das de chá), e deixar ferver por uns cinco minutos. Em seguida, espremer um quarto de limão, pingar dez gotas de própolis, acrescentar uma colher, das de sopa, de mel, e mexer bem. Podem-se tomar de duas a três xícaras ao dia.

A equinácea, planta que aumenta a resistência imunitária, pode ser vantajosamente usada no sarampo. Observar dose prescrita por profissional.

Para acalmar o paciente, ligar periodicamente música suave no seu quarto. Com o fim de ajudá-lo a dormir, administrar chá de camomila ligeiramente adoçado com mel.

O alívio da coceira na fase descamativa pode vir através de banhos mornos com água de aveia. Cozinhar numa panela grande um caldo com aveia. Colocar numa banheira, e completar com água morna. O paciente deve fazer um banho de imersão, morno, de dez minutos, pelo menos uma vez ao dia. Se isso não for possível, aplicar compressas mornas-frias com aquele caldo de aveia sobre os locais mais afetados.

Outra recomendação para aliviar o prurido é fazer, no meio da manhã, banho de imersão morno com o chá concentrado de eucalipto (ou bardana) e flores de sabugueiro. Em seguida, aplicar jato de água fria-morna com ducha, enxugar bem e massagear suavemente todo o corpo com ungüento feito com quatro partes de azeite de oliva e uma parte de glicerina (adquirida em farmácia). Se necessário, repetir esse procedimento antes de dormir. Só a aplicação do ungüento já traz alívio.


Programa Saúde Total

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